
A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (14), uma nova etapa da Operação Sem Refino, que tem entre os principais alvos o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em um imóvel ligado ao político em Petrópolis, na Região Serrana do estado. Ao todo, são 16 mandados autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em diferentes endereços no Rio de Janeiro.
A operação investiga suspeitas de irregularidades relacionadas ao setor de combustíveis, incluindo possíveis crimes de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e infrações contra a ordem econômica.
Nesta segunda fase, os investigadores concentram as apurações em possíveis fraudes envolvendo a concessão de licenças ambientais para uma refinaria. A suspeita é de que autorizações tenham sido concedidas em desacordo com orientações técnicas de órgãos responsáveis pela análise ambiental. A PF também busca identificar possíveis mecanismos utilizados para ocultar ou movimentar recursos provenientes do esquema investigado.
A Operação Sem Refino está relacionada ao contexto da ADPF 635, ação julgada pelo Supremo conhecida como ADPF das Favelas. Entre as determinações estabelecidas pela Corte está o aprofundamento de investigações sobre a atuação de organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro e eventuais vínculos desses grupos com agentes públicos.
A primeira fase da operação foi realizada em maio e teve como foco suspeitas de fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e movimentação irregular de recursos para o exterior envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
Na ocasião, Cláudio Castro também foi alvo de buscas. O empresário Ricardo Magro, apontado como proprietário da refinaria, teve a prisão decretada durante a operação. Ele viveu nos Estados Unidos nos últimos anos e se mudou para Portugal no fim de 2025. Atualmente, segundo as investigações, Magro pode estar na Espanha e passou a integrar a lista de procurados da Interpol.
As apurações também alcançaram agentes públicos e levaram ao bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros. De acordo com os investigadores, o grupo teria utilizado empresas, fundos de investimento e estruturas sediadas no exterior para dificultar o rastreamento de patrimônio e de valores obtidos com as atividades investigadas.
A Refit e a defesa de Cláudio Castro negaram as acusações apresentadas pela investigação. A empresa afirma que as questões tributárias envolvendo a refinaria são discutidas judicialmente. Já a defesa do ex-governador sustenta que sua administração adotou medidas para cobrar débitos da empresa e contesta as suspeitas relacionadas à atuação de Castro.







