
Uma festa organizada por amigos marcou a recepção de Cleusimar Cardoso de Jesus, mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, nesta terça-feira (29), em Manaus, após a Justiça autorizar sua progressão do regime fechado para o semiaberto.
A comemoração aconteceu no Salão Belle Femme, na Rua Nikita Khrushchev, no Parque 10. O encontro teve clima de confraternização, com toadas dos bois Garantido e Caprichoso e cartazes preparados para receber Cleusimar. Em um deles estava escrita a frase “O amor liberta”.
A celebração ocorreu depois de Cleusimar deixar o regime fechado, pouco mais de dois meses após ter sido condenada a 10 anos e 11 meses de prisão em processo relacionado ao tráfico de cetamina investigado no chamado caso Djidja.
Progressão foi autorizada pela Justiça
A mudança para o regime semiaberto foi determinada pela juíza Sabrina Cumba Ferreira, da 2ª Vara de Execução Penal de Manaus. Conforme as informações da decisão, a Justiça considerou que Cleusimar apresentou bom comportamento durante o período de prisão e cumpriu os requisitos necessários para a progressão.
A concessão do semiaberto, entretanto, não representa o encerramento da pena. Cleusimar continuará submetida a medidas determinadas pela Justiça, incluindo monitoramento por tornozeleira eletrônica.
De segunda a sexta-feira, ela deverá permanecer em casa entre 22h e 6h. Poderá sair nos períodos autorizados para trabalhar, estudar ou realizar tratamento de saúde, desde que as atividades sejam previamente comunicadas à Central de Monitoramento.
Nos fins de semana, feriados e dias de folga, o recolhimento domiciliar deverá ser integral.
Cleusimar também não poderá mudar de endereço nem deixar Manaus sem autorização judicial. Entre as demais condições estão o comparecimento quando convocada pelas autoridades, a proibição de portar armas e de consumir bebidas alcoólicas ou drogas, além da obrigação de não cometer novos crimes.
Justiça concede remição de 12 dias
A decisão reconheceu ainda 12 dias de remição da pena pelas atividades realizadas por Cleusimar durante o período em que esteve presa, em agosto deste ano.
Foram computados quatro dias pela leitura de um livro, sete dias referentes a 21 dias trabalhados e mais um dia pela participação no Projeto Remicine.
Cleusimar foi condenada no caso Djidja
Cleusimar foi condenada em 22 de julho de 2026, juntamente com outras seis pessoas, em nova sentença relacionada às investigações da Operação Mandrágora. Segundo as informações da sentença, ela foi apontada como principal articuladora e líder do grupo investigado.
Também foram condenados Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja; José Máximo Silva de Oliveira; Hatus Moraes Silveira; Verônica da Costa Seixas; Sávio Soares Pereira; e Bruno Roberto da Silva Lima. As penas variaram de oito anos e seis meses a 10 anos e 11 meses.
De acordo com a decisão judicial citada no caso, a investigação apontou a utilização da rede de salões Belle Femme e do grupo denominado “Pai, Mãe, Vida” para distribuição e aplicação de cetamina, substância que, segundo a apuração, era obtida ilegalmente e utilizada em rituais.
Outros três réus — Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas — foram absolvidos por insuficiência de provas.
Caso ganhou repercussão após morte de Djidja
O caso ganhou repercussão nacional depois que Djidja Cardoso foi encontrada morta em 28 de maio de 2024, em Manaus.
Conhecida no Amazonas por ter ocupado o posto de sinhazinha da Fazenda do Boi Garantido durante cinco anos, Djidja teve sua morte cercada por investigações que acabaram levando às apurações envolvendo o uso de cetamina.
Segundo as informações reunidas no caso, um laudo preliminar apontou edema cerebral, com comprometimento das funções cardíaca e respiratória, mas o documento mencionado não estabeleceu a causa do edema.
Uma das linhas investigadas pela polícia foi a possibilidade de overdose de cetamina. Durante as diligências, investigadores encontraram frascos da substância enterrados no quintal da residência de Djidja, além de apreenderem caixas de cetamina, seringas, frascos, bulas e cartelas de medicamentos.
Agora no regime semiaberto, Cleusimar segue cumprindo a pena sob as condições estabelecidas pela Justiça.







