Marcelo Paz e Osmar Stabile, diretor de futebol e presidente do Corinthians • Raul Moura/ CNN

O Corinthians estabeleceu como prioridade a quitação dos direitos de imagem dos atletas do elenco, que estão em atraso. O clube está impedido de registrar novos jogadores em razão de um “transfer ban” imposto pela Fifa. A medida visa regularizar a situação financeira e liberar o time para o mercado de transferências.

No último dia 25 de junho, a diretoria alvinegra já havia quitado os salários em carteira dos jogadores, que também estavam atrasados. No entanto, os direitos de imagem, com vencimento previsto para o dia 20, permanecem pendentes.

A situação financeira delicada não é novidade. Em maio, o Timão atrasou o pagamento dos salários dos atletas e da comissão técnica, regularizando a situação oito dias após a data de vencimento. Este cenário de atrasos tem gerado preocupação interna entre os profissionais.

Dívidas e o Transfer Ban

A Itatiaia apurou que a diretoria do Corinthians busca ativamente recursos para derrubar o transfer ban. A sanção da Fifa foi imposta em razão de uma dívida com o Philadelphia Union, da Major League Soccer (MLS). Apesar disso, o foco imediato é resolver os pagamentos pendentes aos atletas.

O goleiro Hugo Souza comentou sobre a situação após um amistoso contra o Cascavel. “Nós somos profissionais, funcionários do clube. Independentemente de tudo, precisamos dar o nosso melhor todos os dias. Deixamos a parte externa para quem tem que resolver. É óbvio. Não vamos ser hipócritas e dizer que isso não atrapalha. Essa situação chega até nós, sabemos das informações e somos afetados quando os salários estão atrasados”, afirmou.

Ele acrescentou: “Mas tenho certeza de que a diretoria está trabalhando para resolver e tem se comunicado da melhor forma com a gente. Isso não é bom para o clube nem para a nossa sequência. Mas somos profissionais. Essa é uma batalha da diretoria, do presidente, para que eles possam oferecer o melhor para a gente entregar o melhor em campo para eles também.”

Mercado e Finanças em Desequilíbrio

Paralelamente à crise financeira, o Corinthians segue atento ao mercado da bola. O clube monitora de perto as situações de Wesley, que expressou desejo de retornar ao Timão, e de Arthur, que recentemente deixou o Grêmio. Contudo, qualquer contratação depende da regularização junto à Fifa.

O clube registrou um déficit de R$ 168 milhões nos quatro primeiros meses de 2026, de acordo com demonstrações contábeis. Esse valor é significativamente pior do que a projeção orçamentária, que era de R$ 72,9 milhões para o período.

As receitas operacionais brutas somaram R$ 273,1 milhões entre janeiro e abril, superando os R$ 243,1 milhões previstos. Patrocínios (R$ 91,2 milhões) e direitos de transmissão (R$ 81,7 milhões) foram os principais impulsionadores da arrecadação. Outras fontes incluíram ativações de marca (R$ 46,2 milhões), arrecadação de jogos (R$ 37,1 milhões) e contribuições de associados (R$ 15,8 milhões).

Apesar das boas receitas, as despesas do Corinthians cresceram acima do planejado. Os gastos com pessoal, incluindo salários, encargos, direitos de imagem e premiações, atingiram R$ 198 milhões, cerca de R$ 26 milhões acima dos R$ 172,2 milhões orçados. As despesas gerais e administrativas também excederam o previsto, chegando a R$ 43,3 milhões contra R$ 37,7 milhões.

Vendas de Atletas e Fatores Extraordinários

O Corinthians não atingiu a meta de vendas de atletas para o primeiro quadrimestre. O orçamento previa R$ 75 milhões líquidos com negociações, mas o resultado foi negativo em R$ 2,4 milhões. Esse valor inclui R$ 4,4 milhões em receitas de cessões e empréstimos e R$ 6,8 milhões em gastos relacionados às transações.

Dois fatores extraordinários contribuíram para a diferença entre o resultado e o orçamento. O primeiro foi o pagamento de R$ 32,5 milhões em premiações ao elenco pela conquista da Copa do Brasil de 2025, contabilizado em janeiro de 2026. O segundo, um desembolso de R$ 6 milhões em tributos para quitar uma obrigação com o Santos Laguna, do México, pela contratação do zagueiro Félix Torres.

A administração do clube explicou que a decisão de não negociar atletas na primeira janela de transferências foi estratégica. A intenção era preservar o elenco para a disputa da Copa Libertadores e aguardar a valorização dos ativos. A diretoria estima arrecadar cerca de 25 milhões de euros (R$ 148,5 milhões) líquidos em transferências na janela do meio da temporada para cumprir a meta orçamentária.

Vale lembrar que o Corinthians encerrou o ano de 2025 com uma dívida total de R$ 2,5 bilhões, incluindo o débito referente ao financiamento da Neo Química Arena.

Com informações da CNN Brasil.

Artigo anteriorNova gestão do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais da Ufam toma posse para atuar até 2030
Próximo artigoRob Dieperink, árbitro barrado da Copa do Mundo, morre aos 38 anos