Rosinei Coutinho/STF

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23) mostra que 52,3% dos entrevistados consideram que a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) prejudica mais a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que a do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência. Outros 20,8% avaliam que o impacto é maior sobre a campanha de Flávio, enquanto 15,5% entendem que os dois candidatos são prejudicados na mesma proporção. Para 7,5%, o episódio não afeta nenhuma das duas campanhas.

A pesquisa também registrou 3,9% de entrevistados que não souberam responder à pergunta. O resultado faz parte de um levantamento realizado entre os dias 17 e 22 de setembro, período marcado pelo avanço das discussões envolvendo integrantes da Corte e as investigações relacionadas ao Banco Master.

A crise no STF ganhou novos desdobramentos durante as investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Um dos episódios ocorreu após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria do caso, em meio a questionamentos relacionados a negócios envolvendo um fundo ligado ao banco.

Na sequência, o ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de parte do inquérito que continha mensagens trocadas entre Vorcaro e um número de telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Após o episódio, Moraes pediu que fosse investigada a atuação de Mendonça por possível abuso de autoridade na condução do inquérito.

Os casos chegaram ao plenário do Supremo, mas a análise foi interrompida após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com a suspensão, os ministros ainda deverão retomar a discussão sobre os procedimentos relacionados ao episódio.

O levantamento também perguntou aos entrevistados sobre quem estaria mais associado às suspeitas envolvendo as fraudes investigadas no Banco Master. Nesse ponto, as opiniões aparecem praticamente divididas.

Para 43,8% dos participantes, o escândalo envolve principalmente aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 43,4% consideram que os principais envolvidos são aliados do presidente Lula. Já 10,6% avaliam que políticos ligados aos dois grupos estão igualmente implicados. Apenas 1,6% apontaram integrantes do Centrão como os principais suspeitos.

Os resultados mostram uma diferença entre a percepção sobre o impacto político da crise no STF e a avaliação sobre quais grupos políticos estariam mais relacionados às suspeitas investigadas no caso Master.

O levantamento AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.015 pessoas entre 17 e 22 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04739/2026. A margem de erro informada para o levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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