A defesa do rapper Mauro Nepomuceno, conhecido como Oruam, protocolou nesta quinta-feira (17) um recurso no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) para pedir a suspensão temporária da ação penal que também envolve Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e outros nove réus.

O grupo é acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) de envolvimento em um suposto esquema de organização criminosa e lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV). A defesa de Oruam sustenta que as provas utilizadas para embasar a ação penal seriam ilícitas.

No recurso, os advogados apresentam um laudo pericial particular que, segundo eles, identificou “graves nulidades e violações na cadeia de custódia das provas digitais” utilizadas na investigação.

Defesa pede nova perícia

De acordo com os advogados, o laudo aponta possíveis problemas relacionados à preservação e ao tratamento dos dados digitais que integram as provas do processo.

Anteriormente, o advogado Thiago Lemos, que representa Oruam, já havia solicitado à Justiça a realização de uma perícia técnica nos dados telemáticos e na cadeia de custódia do material utilizado na investigação.

O pedido, porém, foi negado pela Justiça.

Diante da alegação de possíveis irregularidades, a defesa agora solicita que o processo seja suspenso até a realização e conclusão de uma perícia. O objetivo é permitir que a Justiça avalie a validade das provas e, caso sejam consideradas inválidas, determine sua retirada do processo.

MPRJ denunciou 11 pessoas

Em 30 de janeiro de 2026, o MPRJ apresentou denúncia contra Oruam, Marcinho VP e outras nove pessoas pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Dois meses depois, a Justiça do Rio recebeu a denúncia e tornou os 11 denunciados réus.

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou uma estrutura organizada para o “branqueamento” de recursos provenientes do tráfico de drogas em comunidades do Rio de Janeiro.

A acusação sustenta ainda que Marcinho VP, mesmo preso há mais de duas décadas, manteria influência sobre o Comando Vermelho e participaria de decisões estratégicas e da movimentação financeira da organização.

As alegações fazem parte da denúncia apresentada pelo MPRJ e ainda serão submetidas à análise no curso do processo judicial.

Denúncia aponta quatro núcleos

Segundo o Ministério Público, o suposto esquema teria divisão de tarefas e atuação contínua, com diferentes pessoas responsáveis pela liderança, administração financeira e ocultação de patrimônio.

A denúncia divide os envolvidos em quatro grupos:

  • Liderança encarcerada: Marcinho VP, apontado pelo MP como responsável por decisões estratégicas;
  • Núcleo familiar: Márcia, Oruam e Lucas Nepomuceno, apontados como responsáveis pela gestão dos recursos;
  • Suporte operacional: pessoas que, segundo a acusação, seriam utilizadas como “testas de ferro” para ocultar bens;
  • Liderança operacional: traficantes apontados como responsáveis pela atuação nas comunidades e pelo repasse de valores.

A denúncia também cita nomes como Edgar Alves de Andrade, o Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; e Luciano Martiniano, o Pezão, como supostos fornecedores de recursos.

A solicitação apresentada pela defesa ainda deverá ser analisada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

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