Reprodução/YouTube/@unitednations - 23.09.2026

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, adotou um tom de aproximação com os Estados Unidos durante seu primeiro discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) como chefe de Estado. Na quarta-feira (23), em Nova York, ela agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, pela retomada do diálogo entre Washington e Caracas e afirmou que o país pretende avançar em um processo eleitoral.

Durante a fala, Delcy declarou que haverá eleições na Venezuela, mas não apresentou uma data para a votação. Segundo a presidente interina, o governo iniciou conversas com setores da oposição para preparar um processo eleitoral que, de acordo com ela, deverá ocorrer em condições de igualdade entre as diferentes forças políticas.

A presidente afirmou que os venezuelanos deverão definir o momento considerado adequado para a realização do pleito. Ela também disse que as instituições do país serão preparadas para garantir a realização da votação e classificou o processo como uma transição ordenada e institucional.

Delcy não mencionou Nicolás Maduro durante o discurso. O ex-presidente venezuelano foi capturado por forças dos Estados Unidos em janeiro, em uma operação realizada em Caracas, e posteriormente levado para Nova York, onde responde a acusações apresentadas pelas autoridades norte-americanas.

A mudança no discurso ocorre após uma aproximação entre os governos da Venezuela e dos Estados Unidos. Na terça-feira (22), Delcy se reuniu com Trump em Nova York, durante a semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU. O encontro foi o primeiro entre os dois desde que ela assumiu a presidência interina.

Ao comentar a relação com Washington, Delcy agradeceu a Trump pela retomada das relações diplomáticas e afirmou que Caracas pretende ampliar a cooperação com os Estados Unidos. Energia, segurança e combate ao crime transnacional estão entre os setores mencionados pela presidente interina.

O setor energético também teve destaque no discurso. Delcy citou os acordos firmados com os Estados Unidos e afirmou que a cooperação na área poderá contribuir para a recuperação econômica da Venezuela e para a segurança energética internacional.

A aproximação entre os dois países também avançou em reuniões realizadas fora do plenário da ONU. Durante sua passagem por Nova York, a delegação venezuelana discutiu questões relacionadas à energia, mineração e reestruturação da dívida do país. Delcy também se reuniu com representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A agenda internacional ocorre em meio à tentativa do governo interino de reorganizar as relações da Venezuela com outras nações e instituições financeiras. Ao mesmo tempo, a definição de um calendário eleitoral permanece em aberto, apesar da promessa de realização de eleições feita por Delcy na ONU.

A presidente afirmou que o objetivo é conduzir o país para uma nova etapa política e destacou a necessidade de reconstrução institucional e econômica. A data e as condições definitivas para a realização das eleições, no entanto, ainda não foram anunciadas.

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