
A delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto foi presa nesta quinta-feira (15), em Brasília, suspeita de colaborar com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação apura se a policial utilizou o cargo público para fornecer informações sigilosas e beneficiar membros da organização criminosa.
Segundo as autoridades, a delegada mantinha um relacionamento amoroso com Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como uma das lideranças do PCC na região de Muro Alto, em Ipojuca, no litoral de Pernambuco.
A suspeita é de que Maria Virgínia tenha recebido R$ 50 mil em troca do repasse de informações restritas, do acesso a sistemas protegidos e de possível proteção institucional a integrantes da facção.
Investigação faz parte da Operação Sinalagma
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Sinalagma, que investiga a atuação de integrantes de uma organização criminosa e possíveis conexões com agentes públicos.
No Pará, foram realizadas buscas na residência da delegada, em Belém, e no gabinete que ela ocupava na Divisão de Polícia Administrativa (DPA), localizada na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil.
De acordo com informações do Ministério Público do Pará (MPPA), que acompanha a investigação há cerca de seis meses, a policial teria fornecido dados sigilosos e recebido vantagens financeiras em troca.
Além das suspeitas de corrupção e violação de sigilo funcional envolvendo a delegada, a operação também apura possíveis crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionados ao esquema investigado.
Celular apreendido ajudou a identificar suspeitas
As investigações avançaram após a prisão de Renato Henrique do Carmo, em janeiro de 2025. Na ocasião, os agentes apreenderam o celular do suspeito.
Com autorização judicial, os investigadores extraíram e analisaram os dados do aparelho. As conversas encontradas ajudaram a identificar possíveis integrantes e colaboradores da organização criminosa.
A análise também levantou suspeitas sobre a relação entre Renato e Maria Virgínia. Segundo a investigação, o relacionamento teria sido acompanhado de possíveis repasses de informações sigilosas e favorecimento a membros da facção.
Os investigadores procuram esclarecer se a delegada recebeu dinheiro ou outras vantagens indevidas para fornecer informações restritas e facilitar o acesso a sistemas de segurança pública.
Polícia Civil do Pará se manifesta
Em nota, a Polícia Civil do Pará informou que prestou apoio operacional à Polícia Civil de Pernambuco no cumprimento de diligências realizadas em território paraense. A instituição confirmou que uma das pessoas investigadas pertence ao quadro da corporação.
A Polícia Civil declarou que, após a conclusão dos procedimentos da operação, os autos serão encaminhados à Corregedoria-Geral para análise e eventual adoção de medidas administrativas.
“Assim que concluídos os procedimentos da operação, a instituição tomará conhecimento integral dos fatos e os autos serão encaminhados à Corregedoria-Geral da Polícia Civil para análise e adoção das medidas correcionais cabíveis, com o rigor que o caso requer e com a observância ao devido processo legal”, afirmou a instituição.







