A Justiça decidiu manter Raphael Sousa Oliveira, o dono da página Choquei, detido na sede da Polícia Federal (PF) após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (16/4).

A decisão foi tomada um dia após o influenciador ser preso pela PF em meio à deflagração da Operação Narcofluxo. Além dele, também foram mantidos presos os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, assim como 29 outros envolvidos.

Em nota à imprensa, o advogado do influenciador reforçou que Raphael “exerce atividade empresarial regular no ambiente digital”, e que “os valores recebidos pelo investigado estão relacionados a serviços de publicidade prestados a empresas e agentes do setor de marketing”.

A nota, assinada pelo advogado Pedro Paulo de Medeiros, também afirma que Raphael não tinha conhecimento de “eventual irregularidade nas atividades de terceiros”.

Papel de Raphael no esquema

De acordo com a investigação da PF, Raphael — criador da Choquei, que conta com mais de 27 milhões de seguidores nas redes sociais — atuava na gestão de imagem e promoção digital dos outros envolvidos.

Sua função seria, basicamente, a de divulgar conteúdos favoráveis a MC Ryan SP e promover as plataformas de apostas e rifas nas quais o dinheiro ilícito era movimentado.

Entenda a operação

  • Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.
  • De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, e no Distrito Federal.
  • A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
  • Entre os presos na operação desta quarta, estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
  • A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
  • O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
  • De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf“.
  • Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
  • As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
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