
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram nesta quarta-feira (16) com integrantes da equipe do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Departamento de Estado americano. Durante o encontro, os dois defenderam a adoção de sanções contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
A reunião ocorreu um dia após a sessão do STF que discutiu o relatório da Polícia Federal (PF) relacionado às mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento acabou suspenso após um pedido de vista apresentado por Flávio Dino.
Figueiredo defende retorno de Moraes à lista de sanções
Em entrevista à CNN Brasil, Paulo Figueiredo afirmou que ele e Eduardo Bolsonaro disseram aos representantes do governo Trump que Alexandre de Moraes deveria voltar à lista de pessoas sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Segundo Figueiredo, a posição apresentada na reunião é de que Moraes continuaria formalmente enquadrado na Lei Global Magnitsky e que não haveria justificativa para impedir uma nova designação na lista SDN, que reúne pessoas e entidades sujeitas a bloqueios e restrições financeiras nos Estados Unidos.
Os Estados Unidos haviam anunciado, em julho de 2025, sanções contra Moraes com base na Ordem Executiva 13818, relacionada ao programa Global Magnitsky. Na ocasião, o Tesouro americano afirmou que a medida estava relacionada a alegações de violações graves de direitos humanos.
Figueiredo também defendeu que Flávio Dino e Gilmar Mendes sejam incluídos em medidas semelhantes.
“Há elementos suficientes para demonstrar que Flávio Dino e Gilmar Mendes estão prestando apoio material a um indivíduo designado. E, portanto, devem ser designados também”, afirmou o empresário.
A declaração representa a posição defendida por Figueiredo durante a reunião e não significa que uma nova sanção tenha sido anunciada pelo governo dos Estados Unidos.
Crise institucional no Brasil foi discutida
De acordo com Figueiredo, o encontro tratou principalmente da crise institucional brasileira e do combate ao crime organizado.
O empresário também mencionou uma declaração recente de Trump sobre a atuação do governo brasileiro contra organizações criminosas. Em documento divulgado pelo Congresso americano na terça-feira (15), o presidente dos Estados Unidos criticou o que classificou como falta de medidas suficientes contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Figueiredo avaliou que a manifestação de Trump merece atenção no Brasil.
“O anúncio sobre o fracasso do governo Lula em combater o tráfico de drogas é algo que vale os brasileiros prestarem a atenção”, declarou.
O empresário acrescentou que espera novas medidas por parte do governo americano nas próximas semanas.
“Eu estou otimista de que os brasileiros de bem vão gostar das notícias vindas dos EUA nas próximas semanas. E os bandidos não”, afirmou.
Encontro ocorre em meio à crise no STF
A reunião entre Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e integrantes do governo Trump ocorre em meio à repercussão da sessão do STF de terça-feira (15).
A Corte analisou questões relacionadas ao caso envolvendo Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas a discussão acabou concentrada em uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes sobre a tramitação conjunta de processos envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça.
Flávio Dino pediu vista durante a sessão, suspendendo a análise da questão. O placar parcial ficou em 4 votos a 3 pela manutenção dos processos separados, sem decisão definitiva sobre o tema.







