A União Europeia (UE) anunciou nesta quarta-feira (16) a criação de uma “aliança de seguros climáticos”, iniciativa que pretende ampliar a proteção financeira contra eventos climáticos extremos.

O anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enquanto o bloco enfrenta os impactos de um verão marcado por secas, incêndios florestais e ondas de calor.

A Europa é atualmente considerada o continente que mais rapidamente se aquece no mundo. Segundo dados apresentados pela UE, o ritmo de aquecimento na região é aproximadamente duas vezes superior à média global.

Apenas 25% das perdas têm cobertura de seguros

A temporada de incêndios florestais deste ano esteve entre as mais severas já registradas no continente. Ao mesmo tempo, sucessivas ondas de calor provocaram mortes, interrupções no fornecimento de energia, queda na produtividade e fechamento de escolas.

De acordo com dados da União Europeia, apenas um quarto das perdas econômicas provocadas por eventos climáticos no bloco possui cobertura de seguros.

A nova aliança reunirá seguradoras, investidores, especialistas em modelagem de riscos, autoridades públicas e segurados para desenvolver mecanismos que estimulem a contratação de seguros contra eventos extremos.

“Com muita frequência, os orçamentos nacionais acabam se tornando o segurador de último recurso. Precisamos agir para preencher essa lacuna”, afirmou von der Leyen durante discurso no Parlamento Europeu.

Seguro paramétrico está entre as alternativas

A iniciativa deverá identificar e incentivar instrumentos capazes de reduzir os riscos financeiros associados aos eventos climáticos.

Entre as possibilidades estão os seguros coletivos e os chamados seguros paramétricos, nos quais o pagamento é acionado automaticamente quando determinados parâmetros previamente estabelecidos são atingidos.

Os critérios podem envolver, por exemplo, níveis específicos de chuva ou temperaturas extremas.

UE quer ampliar preparação para mudanças climáticas

Apesar de manter políticas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa, a União Europeia também enfrenta desafios para se adaptar aos impactos do aquecimento global.

Consultores climáticos independentes do bloco afirmaram, em fevereiro, que os investimentos europeus em adaptação climática ainda são insuficientes.

Entre as medidas defendidas estão um planejamento urbano mais adequado, evitando novas construções em áreas sujeitas a inundações, além de projetos capazes de reduzir o impacto das altas temperaturas nas cidades.

“Precisamos intensificar drasticamente nossa preparação”, afirmou a presidente da Comissão Europeia.

Comissão prepara novos planos

Von der Leyen também anunciou outras iniciativas relacionadas à adaptação climática.

Uma estratégia de “resiliência climática”, prevista para outubro, deverá abordar o gerenciamento de riscos climáticos em 100 territórios europeus considerados vulneráveis.

A UE também pretende lançar um plano específico para ondas de calor, com foco no aprimoramento dos sistemas de alerta precoce, além de uma estratégia para melhorar a gestão dos riscos relacionados às secas.

União Europeia avalia frota própria contra incêndios

Outro ponto anunciado envolve o combate aos incêndios florestais.

O bloco solicitou aos chefes dos corpos de bombeiros que apresentem propostas para aprimorar o gerenciamento das queimadas. Entre as possibilidades está a criação de uma frota própria da União Europeia para combate a incêndios florestais.

As medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla para aumentar a preparação dos países europeus diante da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos.

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