O senador Eduardo Braga (MDB-AM) defendeu o aproveitamento de cerca de 8 milhões de metros quadrados de áreas da União ligadas à estrutura aeroportuária de Manaus como uma das alternativas para ampliar o Polo Industrial de Manaus (PIM) e criar condições para receber novos empreendimentos. Segundo o parlamentar, um novo plano de expansão, incluindo terrenos próximos ao aeroporto e às rodovias federais, teria potencial para viabilizar aproximadamente R$ 12 bilhões em investimentos.

A proposta fez parte de um conjunto de medidas apresentado por Braga durante a 324ª Reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), presidida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Além da ampliação física do polo, o senador cobrou maior velocidade na aprovação dos Processos Produtivos Básicos (PPBs) e medidas para diminuir o tempo e o custo do transporte de cargas em Manaus.

Na avaliação de Braga, a disponibilidade de novas áreas tornou-se necessária diante da perspectiva de expansão da atividade industrial. A proposta considera terrenos no entorno da estrutura aeroportuária e também áreas próximas às rodovias federais, abrindo novas frentes para instalação de fábricas e empreendimentos ligados aos setores de serviços e construção civil.

O ministro Márcio Elias Rosa sinalizou disposição para discutir a iniciativa, que Braga chamou de criação do “Polo 4”.

“Vou tomar parte dessa discussão e acompanhar a questão da criação do Polo 4 para ampliação do Polo Industrial de Manaus. Assumo esse compromisso”, declarou o ministro durante a reunião.

R$ 12 bilhões em novos investimentos

De acordo com Braga, a abertura de novos espaços industriais poderia destravar projetos que dependem de áreas adequadas para instalação, além de atrair novos empreendimentos para Manaus.

A estimativa apresentada pelo senador é de que a expansão tenha capacidade para viabilizar cerca de R$ 12 bilhões em investimentos, com efeitos sobre a geração de empregos não apenas nas fábricas, mas também nos serviços e na construção civil.

A discussão ocorre em um momento de aprovação de novos projetos na Zona Franca de Manaus. Na reunião do CAS, foram analisados 25 projetos industriais, que juntos representam quase R$ 400 milhões em investimentos e aproximadamente 900 novos empregos diretos.

Para Braga, o avanço dos investimentos exige que a infraestrutura disponível acompanhe o crescimento e permita que projetos aprovados pela Suframa possam efetivamente sair do papel.

Braga cobra rapidez na aprovação dos PPBs

Outra frente defendida pelo senador envolve os Processos Produtivos Básicos (PPBs), que estabelecem as etapas mínimas de fabricação necessárias para que produtos industrializados possam usufruir dos incentivos vinculados à Zona Franca.

Braga afirmou que existem processos que já cumpriram análises técnicas e documentais, mas ainda aguardam uma decisão do Governo Federal.

“Existem alguns Processos Produtivos Básicos já devidamente analisados, já devidamente documentados do ponto de vista técnico e que estão aguardando uma deliberação por parte do Governo Federal”, disse.

Segundo o senador, a demora nessas decisões interfere no cronograma das empresas e pode retardar a instalação de empreendimentos, a ampliação de unidades existentes e projetos de modernização das linhas de produção.

A proposta é acelerar a tramitação dos processos que já estejam tecnicamente aptos para decisão, encurtando o caminho entre a aprovação dos investimentos e o início das operações.

Carretas levam até 16 horas em operação nos portos, afirma senador

Braga também apontou a logística como um dos principais pontos que precisam ser enfrentados para melhorar a competitividade da indústria amazonense.

Segundo o parlamentar, a concentração dos portos privados que atendem o Distrito Industrial em uma mesma região da cidade provoca congestionamentos e pode fazer com que uma carreta leve entre 12 e 16 horas no processo de entrada e saída dos terminais.

Como alternativa, ele propôs uma articulação com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para avaliar a utilização de áreas das Forças Armadas localizadas atrás do aeroporto de Ponta Pelada.

A proposta seria viabilizar um novo sistema viário destinado ao deslocamento de carretas e contêineres, criando outra rota para o escoamento de cargas e reduzindo a pressão sobre os atuais acessos aos terminais.

Braga estima que uma melhoria nesse fluxo poderia aumentar entre 15% e 20% o desempenho do sistema “just in time” utilizado pelas indústrias, reduzindo tempo de transporte e trazendo ganhos de produtividade.

Para o senador, ampliar as áreas disponíveis, acelerar os PPBs e enfrentar os gargalos logísticos são medidas que precisam avançar paralelamente para que os novos investimentos aprovados para a Zona Franca sejam convertidos mais rapidamente em produção e empregos.

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