
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou, nesta quarta-feira (28), duas versões de uma carta com ataques ao resultado das eleições presidenciais. Na primeira publicação, ele se autodenominou “verdadeiro presidente eleito” do Brasil, apesar de ter sido derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença de 4,4 milhões de votos. Na versão seguinte, o parlamentar substituiu a expressão por “líder do Brasil”. Nos dois textos, ele alega, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral.
Após deixar o Brasil, Flávio agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pelo acolhimento. O senador desembarcou em Miami, na Flórida, na manhã desta quarta-feira, acompanhado da família.
Na carta, o parlamentar também anunciou que pretende liderar a oposição ao governo petista a partir do território norte-americano. Ele prometeu apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar seus apoiadores e manter contato frequente com a população brasileira.

Mudança no conteúdo da carta
Na primeira versão do documento, Flávio se dirigiu aos brasileiros e à comunidade internacional afirmando ser o vencedor legítimo da eleição. O senador também acusou adversários políticos de terem roubado o resultado das urnas e classificou o governo como uma tirania.
“Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil”, declarou.
Pouco depois, o parlamentar retirou a expressão “presidente eleito” e passou a se apresentar como “líder do Brasil”. A alteração ocorreu na abertura do documento e modificou a forma como ele se posicionava diante da derrota eleitoral.
Flávio também justificou sua permanência no exterior mencionando a possibilidade de ter o passaporte apreendido, usar tornozeleira eletrônica, cumprir prisão domiciliar ou enfrentar uma condenação. Apesar das alegações, o próprio senador reconheceu que não havia mandado de prisão expedido contra ele.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, afirmou.
Acusações contra o processo eleitoral
No texto, Flávio sustenta que o segundo turno foi fraudado e questiona a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a extensão do horário de votação até as 19h em locais onde ainda havia urnas abertas.
O senador acusa o governo Lula de abuso de poder político e econômico durante a campanha e defende a cassação da chapa adversária. Ele também afirmou ter presenciado uma suposta fraude na noite de domingo, quando o resultado eleitoral foi divulgado.
Após a derrota, Flávio já havia declarado à imprensa que não aceitaria o resultado e que buscaria a anulação do pleito. A argumentação se apoiava na prorrogação do horário de votação, solicitada em razão de problemas relacionados ao transporte público na Bahia.
No mesmo dia, o próprio Partido Liberal (PL) também pediu a extensão do horário de votação em razão das condições climáticas em outras regiões do país.
Segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 34 mil votos foram registrados após as 17h. Lula venceu a disputa nacional por uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.
O senador ainda mencionou uma suposta expulsão de fiscais do PL do TSE durante o dia da votação. A informação, entretanto, foi desmentida pela própria Corte.
O resultado eleitoral foi reconhecido pelo Congresso Nacional, pelo TSE e pela comunidade internacional. O PL também reconheceu oficialmente a derrota, em nota assinada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. A equipe jurídica da campanha, por sua vez, não apresentou o pedido de anulação anunciado publicamente por Flávio.
Oposição a partir dos Estados Unidos
Na carta, Flávio afirmou que pretende continuar sua atuação política fora do Brasil e assumir a liderança da oposição ao governo federal. O senador também direcionou uma mensagem a parlamentares e governadores aliados, citando Rogério Marinho (PL-RN), a quem declarou apoiar para a Presidência do Senado.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, escreveu.
Para justificar sua atuação no exterior, o parlamentar comparou sua situação à de figuras políticas que viveram ou atuaram no exílio, como o ex-presidente francês Charles de Gaulle, o jurista brasileiro Rui Barbosa e os opositores venezuelanos Juan Guaidó e Edmundo González.
Flávio deixou Brasília na terça-feira (27) e seguiu em direção à fronteira com a Argentina. De lá, embarcou em um avião particular, com escala no Equador, antes de chegar a Miami. A viagem ocorreu em meio aos questionamentos judiciais apresentados por aliados contra o resultado eleitoral e à determinação do ministro Alexandre de Moraes para o recolhimento de seu passaporte.
Ao agradecer aos líderes estrangeiros, o senador declarou: “Antes de mais nada, queria agradecer ao presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher”.
Ao final do documento, Flávio prometeu divulgar novos posicionamentos e apresentar um plano de mobilização política a partir dos Estados Unidos. Segundo ele, as ações serão realizadas por meios que classificou como pacíficos e legítimos.
“Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos”, concluiu.







