
A empresária Daiana Schuinsekel, investigada por gravar e comercializar vídeos que mostram maus-tratos e mortes de coelhos e pintinhos, afirmou, por meio de sua defesa, que se arrepende profundamente dos atos praticados. Ela foi alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Civil na última quinta-feira (28), na região central de São Paulo.
Segundo nota divulgada pelos advogados, os fatos investigados ocorreram há vários anos e a empresária teria abandonado a prática. Em depoimento prestado à polícia, Daiana confirmou que produziu os vídeos entre 2020 e 2021, mas declarou que se arrependeu de ter ingressado nesse tipo de conteúdo envolvendo violência contra animais.
As investigações apontam que a suspeita produzia gravações nas quais os animais eram submetidos a maus-tratos e posteriormente comercializava o material em plataformas digitais para compradores de países europeus. Conforme a apuração policial, os vídeos eram vendidos por valores que variavam entre 20 e 50 euros, dependendo do conteúdo.
A identificação da empresária ocorreu após investigadores relacionarem tatuagens visíveis nos vídeos à suspeita. Além disso, sapatos utilizados nas gravações foram apreendidos durante a operação e passaram a integrar o conjunto de provas do inquérito.


Apesar dos indícios reunidos pela investigação, Daiana não foi presa. Isso ocorre porque a legislação brasileira prevê punições mais severas apenas para casos de maus-tratos contra cães e gatos.
Legislação
A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) estabelece que praticar abuso, ferir, mutilar ou maltratar animais é crime. Entretanto, para a maioria das espécies, a legislação prevê penas mais brandas, que podem resultar em medidas alternativas à prisão.
Já a Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020) endureceu as punições exclusivamente para crimes praticados contra cães e gatos, com pena de reclusão de dois a cinco anos.
Como o caso investigado envolve coelhos e pintinhos, a legislação atual não permite a aplicação das penalidades previstas pela Lei Sansão.
Projeto busca endurecer punições
Diante de casos semelhantes, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 2.475/2025, que pretende classificar os maus-tratos contra animais com resultado morte como crime hediondo.
A proposta prevê penas mais rigorosas, cumprimento em regime fechado e restrições à concessão de benefícios judiciais. O texto aguarda inclusão na pauta para votação.
A defesa da empresária ressaltou que ela permanece à disposição da Justiça e pediu cautela diante das manifestações e ameaças recebidas nas redes sociais desde a divulgação do caso.
As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Civil.







