
Os procedimentos foram realizados em 11 de agosto, sob anestesia geral, e duraram cerca de oito horas. Segundo a representação criminal apresentada pela família ao Ministério Público de Goiás (MP-GO), as cirurgias começaram às 7h45 e terminaram às 16h20. O óbito foi declarado às 4h15 do dia seguinte.
Entre os procedimentos estavam ritidoplastia facial profunda, frontoplastia com redução de testa, mentoplastia óssea, blefaroplastia superior, lipoaspiração e nanofat, técnica que utiliza gordura da própria paciente.
Segundo Djiane, a família havia sido informada de que a cirurgia duraria aproximadamente seis horas. A demora, porém, fez com que ela começasse a se preocupar.
Após deixar o centro cirúrgico, Andreia apresentava inchaço significativo na região da língua e dificuldades para fechar a boca, conforme o relato da irmã. Ainda segundo Djiane, o médico teria informado que o quadro fazia parte do processo normal de recuperação.
A família, entretanto, afirma que o estado de saúde da empresária piorou nas horas seguintes.
Família questiona avaliação antes da cirurgia
A defesa de Andreia apresentou ao MP-GO exames realizados pela empresária na Espanha, em 18 de junho. Segundo a representação, os testes apontaram anticorpos IgM reagentes para Borrelia burgdorferi, bactéria associada à doença de Lyme, e Brucella.
Os exames foram encaminhados à equipe médica em 23 de julho. A representação afirma que os resultados poderiam indicar um processo inflamatório ou infeccioso recente ou ativo e questiona se deveria ter sido realizada uma investigação complementar antes da cirurgia.
Djiane afirmou que o médico responsável teria considerado que os resultados não impediriam a realização dos procedimentos.
A família também aponta que Andreia havia retornado de uma viagem entre Madrid e o Brasil oito dias antes da cirurgia. A informação sobre a viagem, segundo a representação, constava no prontuário e no questionário de triagem.
Outro ponto questionado é a ausência de uma consulta presencial anterior. De acordo com Djiane, Andreia só teria encontrado pessoalmente o cirurgião no dia da operação. Antes disso, ela teria conhecido o trabalho do médico pelas redes sociais.
Família questiona atendimento após procedimentos
Depois da cirurgia, Andreia passou pela Sala de Recuperação Pós-Anestésica e foi encaminhada posteriormente para um quarto de internação comum.
Segundo a representação apresentada ao Ministério Público, a empresária apresentou edema facial severo, aumento do volume da língua e secreções nas vias aéreas.
Djiane afirmou que a irmã passou a reclamar de dificuldades para respirar e de dores na região do pescoço. A família sustenta que os sintomas não teriam recebido a resposta médica considerada adequada diante da evolução do quadro.
“O que houve com a Andreia foi negligência”, afirmou Djiane.
A representação, porém, ressalta que as alegações precisam ser investigadas e submetidas a perícia antes de qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade dos profissionais.
Necrópsia apontou alterações
Após a morte, o corpo de Andreia foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) de Goiânia.
Segundo a representação, o exame identificou secreção mucóide hemorrágica nas vias aéreas, infartos pulmonares nas bases dos pulmões e trombose coronariana aguda no tronco da artéria coronária esquerda.
A família questiona a relação entre os achados, os procedimentos realizados e as complicações apresentadas no pós-operatório. A defesa também afirma que o cirurgião teria acompanhado o procedimento de necrópsia e pede que a circunstância seja investigada.
Os familiares solicitaram uma perícia médico-legal independente para esclarecer a causa da morte e verificar se houve relação entre as condições clínicas anteriores, as cirurgias e as complicações apresentadas posteriormente.
Família pede investigação ao Ministério Público
A família de Andreia apresentou uma representação criminal ao MP-GO e pediu a instauração de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC).
Entre as solicitações estão a preservação de prontuários, imagens de câmeras de segurança, registros eletrônicos, gravações e documentos médicos, além da realização de perícias e da oitiva dos profissionais envolvidos.
A representação também pede que sejam analisadas as condições estruturais do hospital, a disponibilidade de leitos e o suporte médico oferecido durante o pós-operatório.
A defesa afirma que os fatos podem, em tese, ser analisados sob a possibilidade de homicídio culposo, mas ressalta que ainda é necessária investigação para estabelecer eventual responsabilidade e nexo causal.
Até o momento, a representação não comprova negligência ou responsabilidade criminal dos profissionais. A própria família reconhece que as circunstâncias precisam ser esclarecidas por meio de investigação e perícia.







