
São Paulo enfrenta um dos setembros mais chuvosos das últimas décadas, resultado da combinação de frentes frias, áreas de baixa pressão e um intenso fluxo de umidade vindo da Amazônia. Até as 9h de 12 de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 198,2 milímetros de chuva no Mirante de Santana, na zona norte da capital, colocando setembro de 2026 na quarta posição entre os meses de setembro mais chuvosos desde o início da série histórica, em 1943.
O volume acumulado ainda pode aumentar, já que a previsão indica a continuidade das chuvas nos próximos dias. Entre as 9h de sábado (12) e as 9h de domingo (13), o mesmo ponto de medição registrou 75,4 milímetros em apenas 24 horas, o maior acumulado registrado pelo Inmet no Brasil nesse intervalo.
Na prática, o volume corresponde a 75,4 litros de água para cada metro quadrado. Com o acumulado de setembro chegando a 198,2 milímetros, o mês já se tornou o segundo mais chuvoso de 2026 na capital paulista, atrás apenas de janeiro, que registrou 256,4 milímetros.
Segundo o Climatempo, a sequência de chuvas está relacionada à atuação de diferentes sistemas atmosféricos. Um dos primeiros fatores foi a passagem de uma frente fria durante o feriado prolongado de 7 de setembro. Entre os dias 5 e 6, foram registrados 35,6 milímetros de chuva.
A partir de 9 de setembro, uma área de baixa pressão formada sobre o Sul do Brasil e o Paraguai aumentou a instabilidade atmosférica. O sistema posteriormente deu origem a uma nova frente fria, que se formou no dia 11 e avançou em direção a São Paulo.
Durante esse período, áreas de chuva que começaram a se desenvolver sobre o Paraná avançaram para o território paulista e atingiram também a Grande São Paulo. A situação foi reforçada pela atuação de uma corrente de ar quente e úmido vinda da Amazônia, conhecida como jato de baixos níveis.
Esse fluxo transportou grandes volumes de vapor d’água em direção a estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Com a combinação entre a elevada disponibilidade de umidade, áreas de baixa pressão e frentes frias, a atmosfera permaneceu favorável à formação de novas áreas de instabilidade.
A Defesa Civil contabiliza 15 mortes relacionadas às chuvas no estado desde janeiro. Desse total, 13 ocorreram até março e outras duas foram registradas no último fim de semana.
Na capital paulista, a tendência é de que o tempo permaneça fechado nos próximos dias. Nesta segunda-feira (14), a previsão indica muitas nuvens e ocorrência frequente de chuva, com possibilidade de pancadas moderadas a fortes em determinados períodos.
A partir de terça-feira (15), a expectativa é de uma redução gradual das precipitações. A nebulosidade, entretanto, ainda deve permanecer elevada na quarta-feira (16). A mudança mais perceptível deve ocorrer na quinta-feira (17), quando a quantidade de nuvens tende a diminuir e o sol poderá aparecer em alguns momentos.
A melhora no tempo não deve provocar uma elevação significativa das temperaturas. A presença de uma massa de ar frio de origem polar sobre a costa das regiões Sul e Sudeste deve limitar o aquecimento. Até 17 de setembro, os termômetros da cidade de São Paulo não devem superar os 20°C.
O acumulado registrado neste mês também coloca setembro de 2026 próximo de marcas históricas. Na série convencional do Inmet, setembro de 1983 ocupa o primeiro lugar, com 243,1 milímetros. Depois aparecem setembro de 1993, com 206,7 milímetros, e setembro de 2015, com 201,7 milímetros.
Com 198,2 milímetros até agora, setembro de 2026 já ultrapassou setembro de 2009, que acumulou 197,2 milímetros, e está a apenas 3,5 milímetros do volume registrado em 2015.
Como o mês ainda não terminou, a posição de setembro de 2026 no ranking pode mudar. Caso as chuvas continuem nos próximos dias e semanas, o acumulado poderá superar os registros de 2015 e 1993 e até se aproximar do recorde histórico de 1983.







