As autoridades turcas informaram neste domingo (13) que detiveram pelo menos 47 pessoas após realizarem buscas em escritórios de associações LGBTQIA+. Segundo promotores, a ação faz parte de uma investigação sobre prostituição e obscenidade e tem ligação com uma campanha que, segundo o governo, busca proteger os valores familiares. As operações foram realizadas no final de semana. A Procuradoria-Geral de Istambul atuou em 12 províncias contra 38 suspeitos, dos quais 26 foram detidos. Foram apreendidos equipamentos eletrônicos, drogas, bebidas alcoólicas contrabandeadas e uma arma de fogo. Em um comunicado separado, a Procuradoria-Geral de Ancara informou que outras 21 pessoas foram detidas no âmbito de uma investigação sobre a associação Kaos GL e que cinco suspeitos ainda estão sendo procurados. Os números divulgados pela Kaos GL diferem daqueles que foram compartilhados pelas autoridades. Segundo a associação, pelo menos 50 ativistas foram detidos, incluindo mais de 10 que enfrentaram batidas policiais em suas casas. O Ministro da Justiça, Akin Gurlek, afirmou que as investigações coordenadas por promotores se espalharam por 15 províncias, envolvendo processos judiciais contra 162 suspeitos, nove associações e 13 empresas em 15 províncias. Bloqueio de sites As autoridades turcas também bloquearam o acesso a dezenas de sites e contas nas redes sociais ligadas a organizações, ativistas e defensores dos direitos LGBTQIA+. A iniciativa do governo turco, intitulada "Minha Família Está Segura", ocorre no momento em que o presidente Tayyip Erdogan promove a "Década da Família e da População", campanha criada para combater a queda nas taxas de natalidade e o envelhecimento da população. A postura do governo tem recebido críticas de organizações defensoras dos direitos humanos. "O verdadeiro nome desta operação não é 'Minha Família Está Segura'; trata-se de discriminação liderada pelo Estado, política do medo e desmantelamento da sociedade civil", afirmou a Associação Turca de Direitos Humanos. Nacho Sanchez Amor, relator do Parlamento Europeu para a Turquia, afirmou que a onda de prisões em massa representa uma "escalada chocante" da repressão. "Essa imposição de uma agenda moral é uma violação flagrante dos direitos fundamentais e dos compromissos internacionais da Turquia, levando o país por um caminho sombrio", disse Amor em uma postagem na rede social X. Os promotores alegam que possuem provas de que crianças e jovens menores de idade estavam sendo influenciados de forma inadequada em questões relacionadas à orientação sexual e identidade de gênero.

Autoridades turcas detiveram pelo menos 47 pessoas durante operações realizadas neste fim de semana em escritórios de associações LGBTQIA+ no país. Segundo as autoridades, as ações fazem parte de investigações relacionadas a suspeitas de prostituição e obscenidade e estão inseridas em uma campanha do governo voltada à defesa dos chamados valores familiares.

A Procuradoria-Geral de Istambul informou que operações foram realizadas em 12 províncias contra 38 suspeitos. Ao menos 26 pessoas foram detidas. Durante as buscas, as autoridades afirmaram ter apreendido equipamentos eletrônicos, drogas, bebidas alcoólicas contrabandeadas e uma arma de fogo.

Em uma ação separada, a Procuradoria-Geral de Ancara informou a detenção de outras 21 pessoas em uma investigação envolvendo a associação Kaos GL. Cinco suspeitos ainda são procurados pelas autoridades.

A organização, no entanto, apresentou números diferentes dos divulgados pelo governo. Segundo a Kaos GL, pelo menos 50 ativistas foram detidos, incluindo mais de dez pessoas que tiveram suas residências alvo de buscas policiais.

O ministro da Justiça da Turquia, Akin Gurlek, afirmou que as investigações coordenadas pelo Ministério Público alcançaram 15 províncias. De acordo com ele, os procedimentos envolvem 162 suspeitos, além de nove associações e 13 empresas.

Além das prisões e buscas, as autoridades turcas bloquearam dezenas de sites e contas em redes sociais vinculadas a organizações, ativistas e defensores dos direitos da população LGBTQIA+.

As operações ocorrem no contexto da campanha governamental denominada “Minha Família Está Segura”, promovida durante a chamada “Década da Família e da População”, iniciativa lançada pelo presidente Recep Tayyip Erdogan com o objetivo declarado de enfrentar a redução das taxas de natalidade e o envelhecimento da população.

A ofensiva provocou críticas de organizações de defesa dos direitos humanos. A Associação Turca de Direitos Humanos classificou as operações como uma ação de discriminação promovida pelo Estado e acusou o governo de utilizar uma política de medo para enfraquecer a sociedade civil.

Nacho Sánchez Amor, relator do Parlamento Europeu para a Turquia, também criticou as detenções e classificou a operação como uma escalada da repressão no país. Segundo ele, a imposição de uma agenda moral representa uma violação dos direitos fundamentais e dos compromissos internacionais assumidos pela Turquia.

Os promotores turcos, por outro lado, afirmam possuir evidências de que crianças e adolescentes estariam sendo expostos de maneira inadequada a questões relacionadas à orientação sexual e à identidade de gênero. As autoridades utilizam essas alegações como parte das justificativas para as investigações e medidas adotadas contra organizações e ativistas.

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