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O ministro da Economia do Irã, Ali Madanizadeh, afirmou que o país está “totalmente preparado” para enfrentar a guerra econômica anunciada pelos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. Apesar de reconhecer dificuldades internas, como inflação, pressão sobre a moeda e escassez de produtos, o ministro disse que Teerã possui um plano para enfrentar os impactos das novas medidas e que não pretende apenas reagir às ações de Washington.

Em entrevista à televisão estatal iraniana, Madanizadeh afirmou que o governo possui um planejamento de dois anos para administrar os efeitos da pressão econômica. Segundo ele, o país também dispõe de instrumentos próprios para responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

“O governo está e estava pronto e tem um plano de dois anos para gerenciar esses eventos”, declarou o ministro. “Também temos nossas próprias ferramentas e sabemos como jogar esse jogo”, acrescentou, citando China e Rússia como exemplos de grandes potências que já teriam rejeitado a estratégia norte-americana.

A nova ofensiva de Washington tem como principal objetivo aumentar a pressão sobre Teerã para que o governo iraniano aceite negociar um novo acordo relacionado ao seu programa nuclear. Entre as medidas anunciadas estão sanções contra cerca de 60 pessoas, empresas, entidades e embarcações associadas ao governo iraniano e a setores considerados estratégicos pelos Estados Unidos, como energia nuclear, produção de mísseis, atividades cibernéticas e petróleo.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, também elevou o tom ao ameaçar outros países que mantiverem transações econômicas com o Irã. Segundo ele, o governo Trump está entrando em contato com líderes estrangeiros para exigir a interrupção dessas relações comerciais.

A declaração provocou uma reação imediata de Teerã. O Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que países vizinhos que decidirem apoiar a campanha de pressão econômica dos Estados Unidos poderão sofrer “consequências”. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, também declarou que o apoio de qualquer país às medidas norte-americanas poderá ser interpretado como um “ato de guerra”.

A disputa em torno do programa nuclear iraniano se arrasta há décadas e permanece como um dos principais pontos de tensão entre Teerã e Washington. Em 2015, durante o governo de Barack Obama, Irã e potências internacionais chegaram a um acordo que estabelecia limites para as atividades nucleares iranianas e permitia inspeções das instalações. Em contrapartida, parte das sanções econômicas impostas ao país foi suspensa.

O acordo, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, foi abandonado pelos Estados Unidos em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump. Na época, o presidente norte-americano alegou que o pacto oferecia vantagens excessivas ao Irã. Após a saída de Washington, Teerã passou a descumprir gradualmente algumas das restrições estabelecidas pelo acordo e ampliou o nível de enriquecimento de urânio.

Durante o governo de Joe Biden, os Estados Unidos tentaram retomar as negociações e oferecer novamente alívio nas sanções em troca de limites ao programa nuclear iraniano, mas as tratativas não avançaram até a conclusão de um novo acordo.

Já em seu segundo mandato, Trump voltou a pressionar Teerã para limitar ou abandonar seu programa nuclear. Washington sustenta que o Irã estaria próximo de desenvolver uma arma nuclear, acusação rejeitada pelo governo iraniano, que afirma utilizar seu programa nuclear para fins pacíficos, especialmente na geração de energia.

No início deste ano, representantes dos dois países chegaram a participar de novas conversas sobre um possível acordo. As primeiras reuniões foram consideradas positivas pelas delegações, mas a aproximação foi interrompida após Trump acusar o Irã de retomar suas ambições nucleares. Na sequência, os Estados Unidos autorizaram novos ataques contra alvos iranianos, em uma ofensiva realizada em conjunto com Israel.

A escalada também envolveu grupos aliados de Teerã. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou mísseis contra Israel, que respondeu com ataques contra alvos em diferentes regiões do Líbano. Paralelamente, drones iranianos atingiram instalações militares europeias no Oriente Médio, ampliando a dimensão do conflito.

As tensões chegaram ainda ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas utilizadas para o transporte mundial de petróleo, aumentando os riscos para a economia internacional. Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. Em junho, um memorando de entendimento ampliou a trégua por 60 dias com o objetivo de criar condições para uma solução definitiva envolvendo o programa nuclear iraniano.

O prazo terminou na última semana sem que os países chegassem a um novo acordo. Com o fim da trégua e o anúncio das novas sanções norte-americanas, o confronto entre Washington e Teerã volta a ganhar força, desta vez com forte impacto sobre as relações comerciais e financeiras internacionais.

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