Foto: NASA/Johns Hopkins University/Divulgação

Há 20 anos, em 24 de agosto de 2006, Plutão deixou de ser considerado oficialmente um planeta e passou a integrar a categoria de planeta anão. A mudança ocorreu durante uma reunião da União Astronômica Internacional (IAU), que estabeleceu pela primeira vez critérios específicos para definir o que pode ser classificado como planeta no Sistema Solar.

Pela nova definição, um planeta precisa cumprir três condições: orbitar diretamente o Sol, ter massa suficiente para que sua própria gravidade o deixe aproximadamente esférico e ser gravitacionalmente dominante em sua região orbital.

Plutão atende aos dois primeiros requisitos, mas não ao terceiro. O astro está localizado no Cinturão de Kuiper, uma região do Sistema Solar repleta de corpos gelados além da órbita de Netuno. Por dividir essa área com milhares de outros objetos e não dominar gravitacionalmente sua vizinhança, ele passou a ser classificado como planeta anão.

A decisão provocou grande repercussão entre o público e também dentro da comunidade científica. Até então, Plutão era ensinado como o nono planeta do Sistema Solar desde sua descoberta, em 1930.

Com a criação da categoria de planetas anões, outros corpos celestes passaram a ser enquadrados nessa classificação, entre eles Ceres, Éris, Haumea e Makemake.

A descoberta de Plutão

A história de Plutão começou décadas antes de sua descoberta. No fim do século XIX, astrônomos levantaram a possibilidade de existir um planeta além de Netuno capaz de provocar pequenas alterações na órbita de Urano.

Em 1906, o astrônomo americano Percival Lowell iniciou uma busca sistemática pelo que chamou de Planeta X. O trabalho continuou no Observatório Lowell, no Arizona, até que, em 1930, o astrônomo Clyde Tombaugh identificou o novo objeto.

O observatório recebeu o direito de escolher o nome do astro e recebeu mais de mil sugestões. A denominação Plutão foi proposta por Venetia Burney, uma menina inglesa de 11 anos que sugeriu o nome inspirado no deus romano associado ao submundo.

Durante décadas, Plutão permaneceu como o nono planeta do Sistema Solar. No entanto, o avanço dos telescópios e das técnicas de observação começou a mudar a compreensão sobre os objetos localizados nas regiões mais distantes do sistema.

A partir de 1992, diversos corpos semelhantes a Plutão foram identificados no Sistema Solar exterior. A descoberta de Éris, em 2005, aumentou ainda mais a discussão. O objeto possui aproximadamente 27% mais massa que Plutão e levantou uma questão entre os astrônomos: se Plutão continuasse sendo considerado planeta, outros corpos semelhantes também deveriam receber a mesma classificação.

O tamanho de Plutão também ajuda a entender sua posição entre os objetos do Sistema Solar. Seu diâmetro equivale a aproximadamente um quinto do diâmetro da Terra, enquanto sua massa corresponde a cerca de um sexto da massa da Lua. Ele também é consideravelmente menor que Mercúrio, atualmente o menor dos oito planetas do Sistema Solar.

Apesar das dimensões reduzidas, Plutão possui um sistema de satélites próprio. Cinco luas são reconhecidas: Caronte, Nix, Hidra, Cérbero e Estige. Caronte é a maior delas e tem tamanho tão significativo em relação a Plutão que os dois corpos são frequentemente estudados como um sistema peculiar.

A temperatura na superfície do planeta anão pode chegar a níveis extremamente baixos, variando aproximadamente entre -226 ºC e -240 ºC.

Um mundo muito mais complexo

A classificação como planeta anão não diminuiu a importância científica de Plutão. Pelo contrário, uma das maiores descobertas sobre o astro ocorreu anos depois de sua mudança de categoria.

Em 2015, a sonda New Horizons, da NASA, realizou o primeiro sobrevoo de Plutão. As imagens obtidas revelaram um mundo muito mais complexo e ativo do que os cientistas imaginavam.

Em vez de uma superfície congelada e praticamente sem atividade, a missão encontrou montanhas formadas por gelo de água com cerca de 3 quilômetros de altura, vales profundos, extensas planícies cobertas por nitrogênio congelado e áreas com poucas crateras.

Entre as estruturas mais impressionantes estava uma enorme formação clara em formato de coração, que se tornou uma das imagens mais conhecidas da exploração espacial.

As observações da New Horizons mostraram que Plutão possui uma geologia complexa e uma história muito mais dinâmica do que se imaginava. Mesmo sem ocupar oficialmente a lista dos planetas, o astro continua sendo um dos objetos mais estudados e intrigantes do Sistema Solar.

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