
“Estão esperando pessoas morrerem para dar atenção ao Amazonas?”. Com essa cobrança, a influenciadora, ex-BBB e ex-Cunhã-Poranga do Boi Garantido Isabelle Nogueira usou sua projeção nas redes sociais, onde reúne mais de 5 milhões de seguidores no Instagram, para fazer um apelo diante da grave situação provocada pelas queimadas e pela fumaça que encobre Manaus.
Amazonense, Isabelle publicou um vídeo relatando o que a população vem enfrentando e pediu mobilização para que a situação ganhe repercussão nacional. Ela classificou o cenário como “desesperador” e cobrou um plano de ação para enfrentar os incêndios e prestar assistência às comunidades afetadas.
“O que está acontecendo no Amazonas é desesperador, e o silêncio da mídia brasileira é ensurdecedor”, escreveu.
A manifestação ocorre em meio a índices críticos de poluição atmosférica. Na manhã de quarta-feira (23), oito das 12 estações monitoradas pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram qualidade do ar classificada como “péssima”. Na Zona Sul, a concentração de material particulado fino (PM2,5) chegou a 286,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
“A gente está falando de fumaça”
No vídeo, Isabelle chamou a atenção para a dimensão do problema e relatou os efeitos sentidos pelos moradores.
“Meu povo, olha só: o que está acontecendo no Amazonas, em Manaus, é muito triste, é revoltante. A gente não está falando de neblina, a gente está falando de fumaça”, afirmou.
A influenciadora destacou os dados registrados pelas estações de monitoramento e alertou para os riscos à saúde provocados pela exposição prolongada.
Ela também descreveu sintomas enfrentados pela população, como ardência nos olhos, irritação na garganta, tosse seca, dor de cabeça e dificuldade para respirar.
“Parece que a gente está sendo sufocado. É horrível, é desesperador”, afirmou.
Queimadas avançam no Amazonas
Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ajudam a dimensionar a situação. Entre 1º e 22 de setembro, foram registrados 3.240 focos de queimadas no Amazonas, contra 942 no mesmo período de 2025, um crescimento de aproximadamente 244%. Os focos estão distribuídos por diferentes regiões do estado e atingem municípios como Novo Aripuanã, Lábrea, Apuí, Careiro, Iranduba e Autazes.
Outro levantamento divulgado nesta quarta-feira aponta que, no acumulado de 2026 até o dia 23 de setembro, o Amazonas já contabilizava aproximadamente 5,7 mil focos de calor, contra 3.113 registrados durante todo o ano de 2025.
A situação é agravada pelas condições meteorológicas. Manaus registrou na terça-feira (22) 38,6°C, a maior temperatura de 2026 até agora, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A combinação de calor intenso, baixa umidade, estiagem e condições atmosféricas desfavoráveis contribui tanto para a propagação do fogo quanto para a permanência da fumaça sobre a cidade.
Isabelle cobra aeronaves, drones e brigadistas
Em seu apelo, Isabelle foi além da denúncia e cobrou reforço na estrutura de combate aos incêndios.
“É urgente um plano de ação. É urgente mobilização. É urgente estrutura para combater as queimadas e proteger as comunidades: aeronaves, drones, brigadistas, equipamentos e recursos para levar água e assistência a quem está sofrendo”, declarou.
Para ela, compartilhar as informações é uma das formas de pressionar por respostas e ampliar a visibilidade do problema.
“O Amazonas não pode ser lembrado somente quando a tragédia chega às manchetes. O Amazonas, os amazonenses e a floresta clamam!”, escreveu.
“É como se a gente fizesse parte de uma parte do país que é esquecida”
Outro ponto forte da manifestação foi a crítica de Isabelle ao que considera pouca repercussão nacional da crise enfrentada pelos amazonenses.
“É como se, de fato, a gente fizesse parte de uma parte do país que é esquecida”, disse.
A ex-BBB afirmou acreditar que uma situação semelhante ocorrendo em outra região brasileira teria recebido maior cobertura.
Apesar da crítica feita pela influenciadora, veículos nacionais já publicaram reportagens sobre o episódio. A Folha de S.Paulo, por exemplo, noticiou nesta quarta-feira a deterioração da qualidade do ar em Manaus e o avanço das queimadas no Amazonas.
Saúde já registra atendimentos relacionados à fumaça
A crise já apresenta reflexos na saúde pública. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde citados pela Amazônia Real, a rede estadual contabilizou 132 atendimentos por queixas respiratórias relacionadas à inalação de fumaça entre 1º de julho e 22 de setembro. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas estão entre os grupos considerados mais vulneráveis.
A Prefeitura de Manaus informou nesta quarta-feira que a concentração média de partículas finas havia alcançado 188,5 µg/m³, nível classificado como “péssimo”, e atribuiu a fumaça principalmente às queimadas em municípios da Região Metropolitana e do leste do Amazonas.
Na noite de quarta-feira, o prefeito Renato Junior reuniu o Comitê de Crise Climática e colocou Manaus em estado de atenção diante do agravamento da qualidade do ar. Entre as ações anunciadas pelo município estão monitoramento de focos de incêndio com drones e medidas preventivas na zona rural.
A Defensoria Pública do Amazonas também reforçou a cobrança por providências dos órgãos públicos e informou ter protocolado nova manifestação judicial para cobrar medidas de monitoramento e combate aos efeitos das queimadas.
Influenciadora orienta população a se proteger
Ao final do vídeo, Isabelle também pediu que a população redobre os cuidados. Entre as recomendações citadas estão beber bastante água, evitar atividades físicas ao ar livre, reduzir a exposição à fumaça e proteger principalmente crianças e idosos.
As orientações coincidem com recomendações da Secretaria Municipal de Saúde. A Semsa alerta que baixa qualidade do ar, altas temperaturas e poluição podem provocar irritação nos olhos e vias respiratórias, desidratação e agravamento de problemas pulmonares e cardiovasculares.
“Se caso tenha algum problema respiratório, sentir algo, procure atendimento médico”, recomendou Isabelle.







