“Estou cansado de ver ladrões acusando gente honesta. Estou cansado de ver milicianos acusando gente honesta.” Com essa declaração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno das eleições presidenciais, a abrir os sigilos bancário e telefônico para esclarecer a origem de seu patrimônio. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (19), Lula estabeleceu um prazo de uma semana para que o candidato do PL aceite a proposta e apresente informações financeiras à população brasileira.

O desafio, feito inicialmente durante o debate presidencial de domingo (18), ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, quando Lula afirmou estar disposto a autorizar o acesso aos próprios dados bancários e aos de seus filhos, desde que Flávio Bolsonaro faça o mesmo, incluindo informações de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de seus irmãos.

Em tom de confronto, o presidente afirmou que a medida seria uma forma de esclarecer acusações de corrupção e permitir que os eleitores avaliem a situação patrimonial dos candidatos e de seus familiares antes da votação de domingo, 25 de outubro.

“Eu fiz um desafio ao candidato adversário para que ele abrisse o seu sigilo bancário e o seu sigilo telefônico, porque é preciso de uma vez por todas provar quem é o corrupto nesse país”, declarou Lula no início da gravação.

Lula desafia família Bolsonaro a revelar movimentações bancárias

Ao detalhar a proposta, Lula afirmou que pretende preparar documentos para autorizar o acesso às informações financeiras de sua família, mas condicionou a iniciativa à concordância de Flávio Bolsonaro e de seus familiares.

Segundo o presidente, o objetivo é permitir uma comparação das movimentações financeiras e esclarecer questionamentos sobre a origem de patrimônios.

“Eu vou preparar uma procuração de todos os meus filhos, a minha, para autorizar quebrar meu sigilo bancário, desde que ele se disponha a fazer o mesmo: dele, do pai dele, dos irmãos dele, pra gente saber quem é que rouba nesse país, quem é que roubou nesse país”, afirmou.

A proposta, caso aceita, dependeria de autorizações individuais e dos procedimentos legais aplicáveis ao acesso a informações protegidas por sigilo. A declaração de Lula, por si só, não representa a efetiva abertura desses dados.

Presidente questiona compra de imóveis milionários em dinheiro

Um dos momentos mais contundentes do vídeo ocorreu quando Lula levantou questionamentos sobre a aquisição de imóveis de alto valor supostamente pagos em dinheiro.

Sem apresentar documentos na gravação, o presidente sugeriu que o patrimônio do adversário precisa ser esclarecido publicamente, especialmente diante da remuneração recebida por ocupantes de cargos políticos.

“Para explicar como é que compra casa de milhões pagando a dinheiro, um cara que ganha o mesmo salário que eu ganho”, questionou.

A declaração acrescentou ao confronto eleitoral uma discussão sobre patrimônio, transparência e origem de recursos financeiros.

As afirmações de Lula constituem questionamentos e acusações políticas. O conteúdo do vídeo, isoladamente, não comprova irregularidades nas aquisições mencionadas nem demonstra a prática de crimes por Flávio Bolsonaro ou seus familiares.

“Você tem uma semana para ter coragem”, cobra Lula

Na parte final da gravação, o presidente elevou o tom e estabeleceu um prazo para que o adversário se manifeste sobre a proposta.

“O desafio tá feito. Você tem uma semana para ter coragem, para ter coragem de mostrar ao povo brasileiro se você é honesto ou não”, declarou.

O prazo anunciado nesta segunda-feira (19) termina em 26 de outubro, um dia depois da votação do segundo turno, marcada para domingo (25).

A cobrança ocorre em um momento decisivo da campanha presidencial, quando Lula e Flávio Bolsonaro intensificam os ataques e buscam convencer os eleitores sobre suas respectivas capacidades de governar o país.

Confronto sobre corrupção ganha espaço na reta final da eleição

A seis dias da votação, o desafio de Lula coloca a transparência patrimonial e as acusações de corrupção no centro do embate entre os dois candidatos.

Ao propor a abertura dos sigilos, o presidente procura responder às críticas dirigidas a ele e, ao mesmo tempo, transferir ao adversário a responsabilidade de aceitar ou rejeitar a divulgação de informações financeiras.

O petista também busca associar a discussão eleitoral à necessidade de prestação de contas por parte de quem ocupa ou pretende ocupar cargos públicos.

Entretanto, a eventual recusa de um candidato em divulgar voluntariamente dados protegidos por sigilo não constitui, por si só, prova de desonestidade ou de irregularidade.

No material encaminhado à reportagem, não consta uma resposta de Flávio Bolsonaro ao desafio apresentado nesta segunda-feira.

A nova manifestação de Lula amplia o confronto político na reta final da disputa presidencial, que será decidida nas urnas no próximo domingo, 25 de outubro.

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