
Um estudo publicado na revista científica Biology of Sex Differences sugere que alguns fatores de risco associados à demência podem ter impacto mais intenso sobre a cognição das mulheres do que dos homens. A pesquisa analisou dados de 17.182 pessoas com 40 anos ou mais e buscou compreender por que a doença é mais frequente na população feminina.
Os pesquisadores observaram que, além de apresentarem maior exposição a determinados fatores de risco, as mulheres também tendem a sofrer efeitos cognitivos mais significativos em algumas situações. Segundo os autores, essa combinação pode ajudar a explicar parte da diferença na incidência de demência entre os sexos.
A análise avaliou 13 fatores de risco relacionados ao desenvolvimento da doença. Entre as mulheres, depressão, sedentarismo e problemas de sono foram mais frequentes. Já entre os homens, destacaram-se perda auditiva, diabetes e consumo excessivo de álcool.
Os resultados mostraram que pressão alta, perda auditiva e diabetes estiveram associados a reduções cognitivas mais acentuadas entre as mulheres. O índice de massa corporal também chamou a atenção dos pesquisadores. Nas participantes entre 50 e 60 anos, um IMC mais elevado foi relacionado a pior desempenho cognitivo, associação que não foi observada nas faixas etárias mais avançadas.
De acordo com a neurocientista Megan Fitzhugh, da Universidade da Califórnia em San Diego, os dados indicam que determinados fatores exercem influência desproporcional sobre a saúde cognitiva feminina, reforçando a necessidade de estratégias preventivas mais específicas.
Pesquisa destaca fatores modificáveis e oportunidades de prevenção
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo é observacional e, portanto, não permite estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre os fatores analisados e o desenvolvimento da demência.
A pesquisa também identificou alguns indicadores associados a melhor desempenho cognitivo entre as mulheres. Um maior tempo de escolaridade apresentou relação positiva com os resultados cognitivos. Níveis mais elevados de colesterol total também apareceram associados a melhor desempenho, embora os autores afirmem que essa ligação ainda precisa ser investigada em estudos futuros.
Os cientistas destacam que muitos dos fatores analisados podem ser modificados ou controlados ao longo da vida. Entre eles estão hipertensão, diabetes, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, distúrbios do sono e depressão.
Segundo os autores, a adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico adequado podem contribuir para reduzir o risco de declínio cognitivo. Eles defendem ainda que novas pesquisas investiguem por que o cérebro feminino parece apresentar maior sensibilidade a determinados fatores de risco, incluindo possíveis influências das alterações hormonais relacionadas à menopausa.
Com informações de Metrópoles







