
Não há um único segredo capaz de explicar por que algumas pessoas chegam aos 100 anos ou mais. Essa é a conclusão de uma revisão científica que analisou 124 estudos publicados ao longo de 55 anos sobre centenários e supercentenários. O trabalho, divulgado em 14 de julho na revista Discover Public Health, indica que a longevidade é influenciada por uma combinação de fatores biológicos, estilo de vida e condições sociais.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Americana do Cairo, no Egito, que reuniram estudos sobre pessoas com 100 anos ou mais. Segundo os autores, embora existam características frequentemente observadas entre os centenários, nenhuma delas, isoladamente, é suficiente para explicar uma vida excepcionalmente longa.
Hábitos saudáveis e fatores biológicos aparecem entre as características mais comuns
A revisão identificou que pessoas longevas costumam apresentar mecanismos mais eficientes de reparo do DNA, melhor controle dos processos inflamatórios, funcionamento preservado das mitocôndrias e diferenças no metabolismo. A genética também desempenha um papel importante, mas os pesquisadores ressaltam que não existe um único “gene da longevidade”. Em vez disso, diversos genes parecem contribuir com pequenos efeitos que, em conjunto, favorecem uma vida mais longa.
Entre os hábitos mais frequentes observados nos estudos estão uma alimentação baseada principalmente em alimentos de origem vegetal, a prática regular de atividades físicas cotidianas, como caminhadas e jardinagem, a ausência do tabagismo e a manutenção de vínculos familiares e sociais. Traços de personalidade, como resiliência e menor propensão ao estresse, também foram comuns entre os centenários.
Os pesquisadores observaram ainda que muitas dessas pessoas desenvolvem doenças crônicas apenas em idades mais avançadas, fenômeno conhecido como compressão da morbidade, em que os problemas de saúde ficam concentrados em um período menor da vida. No entanto, isso não ocorre com todos: alguns indivíduos convivem por décadas com doenças crônicas e, mesmo assim, alcançam idade avançada.
Os autores destacam que os resultados não comprovam uma relação de causa e efeito, já que os estudos analisaram apenas pessoas que atingiram os 100 anos. Para confirmar quais fatores realmente aumentam as chances de longevidade excepcional, serão necessários acompanhamentos de grandes grupos populacionais por longos períodos. Até lá, as evidências indicam que viver mais depende da interação entre herança genética, estilo de vida e ambiente, e não de uma única estratégia ou hábito.
Com informações de Metrópoles







