
A construção de políticas públicas mais eficientes para o interior do Amazonas passa por ouvir quem vive diariamente os desafios e as potencialidades da região. Essa é a principal conclusão apresentada pelos pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que divulgaram nesta quinta-feira (23) os resultados inéditos do Mapa de Potencialidades Territoriais, estudo realizado nos municípios de Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará.
Desenvolvida pelo projeto Atlas ODS Amazônia, em parceria com o Instituto Acariquara, a pesquisa combinou indicadores oficiais, visitas de campo e entrevistas com moradores, lideranças comunitárias e representantes do poder público para identificar oportunidades de desenvolvimento sustentável, vocações produtivas e os principais desafios enfrentados pela população.
Durante entrevista ao portal Fato Amazônico, o coordenador do estudo, professor Danilo Santos Barbosa, destacou que o grande diferencial da pesquisa foi colocar o conhecimento técnico e a experiência da população no mesmo nível de importância.
“O sucesso do estudo acontece quando conseguimos encontrar um meio-termo entre aquilo que as pessoas que vivem no território reconhecem como potencialidade e o que os indicadores mostram. Essa intersecção permite compreender o potencial econômico, industrial e de capital humano de cada município”, explicou o pesquisador.
Segundo Barbosa, o levantamento vai além da análise estatística. Para ele, compreender o desenvolvimento sustentável da Amazônia exige ouvir quem conhece a realidade local.
“É um exercício de escuta. Nosso objetivo é entender como podemos visualizar o desenvolvimento sustentável de uma região a partir da perspectiva de quem mora nela e vivencia diariamente seus desafios e oportunidades.”
O estudo avaliou diferentes aspectos dos quatro municípios, como educação, infraestrutura, atividades econômicas, organização comunitária e sociobiodiversidade, formando um diagnóstico territorial que poderá servir de base para investimentos públicos e privados.
Na avaliação dos pesquisadores, a metodologia permite identificar com maior precisão quais setores possuem maior potencial de crescimento e quais gargalos precisam ser enfrentados para fortalecer a economia local sem comprometer a preservação ambiental.
Após a apresentação dos resultados, a equipe inicia a fase final de revisão do material técnico. A expectativa é concluir a impressão dos relatórios até o fim de agosto ou início de setembro.
De acordo com Danilo Barbosa, a intenção é garantir que o conteúdo chegue às mãos dos moradores e gestores públicos.
“Esperamos distribuir esse estudo o quanto antes para que os munícipes tenham acesso às informações. O trabalho do Atlas ODS, desde 2019, é justamente apresentar dados e indicadores que possam orientar decisões e contribuir para o desenvolvimento regional.”
A expectativa dos pesquisadores é que os relatórios impressos e digitais sirvam como instrumento para subsidiar políticas públicas, projetos de desenvolvimento e iniciativas da sociedade civil voltadas ao fortalecimento econômico e social da calha do Médio Amazonas.







