O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em um centro de treinamento militar na selva do Panamá • X / @PeteHegseth

Os Estados Unidos planejam ampliar sua atuação contra organizações de narcotráfico na América Latina e iniciar operações militares terrestres contra grupos ligados ao tráfico de drogas, segundo o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (12), durante uma visita a um centro de treinamento na selva do Panamá. De acordo com Hegseth, as futuras ações devem seguir o modelo da campanha militar americana contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Oceano Pacífico.

O secretário afirmou que Washington trabalha com Equador, Colômbia e outros países parceiros para realizar operações terrestres contra organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas.

Hegseth comparou os narcotraficantes a integrantes de grupos como Estado Islâmico (ISIS) e Al-Qaeda, afirmando que aqueles considerados ameaças aos americanos poderão ser tratados como alvos militares.

Colômbia autoriza operações conjuntas

A declaração ocorreu no mesmo dia em que Hegseth anunciou a entrada da Colômbia na Coalizão das Américas Contra os Cartéis (ACCC), durante uma reunião realizada no Panamá.

Antes de se reunir com o novo ministro da Defesa colombiano, Jorge Eduardo Mora, Hegseth afirmou que o governo da Colômbia havia autorizado operações militares conjuntas para combater grupos classificados como terroristas e suas redes.

A aproximação entre Washington e Bogotá ocorre após a posse do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que adotou um discurso de endurecimento no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

“Doutrina Donroe”

Durante o encontro, Hegseth também apresentou uma versão reformulada da tradicional Doutrina Monroe, política americana do século XIX que defendia a influência dos Estados Unidos no continente americano.

O secretário chamou a nova abordagem de “Doutrina Donroe”, em referência ao presidente Donald Trump.

Segundo Hegseth, os Estados Unidos pretendem defender o hemisfério de ameaças externas, incluindo organizações de narcotráfico e possíveis influências estrangeiras.

A estratégia amplia a presença militar americana na América Latina e ocorre em meio ao aumento das operações de Washington contra grupos envolvidos com o tráfico internacional de drogas.

Mais de 200 mortos em ataques no mar

Desde setembro do ano passado, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram ataques contra dezenas de embarcações que Washington afirma estarem envolvidas no transporte de drogas.

Segundo o governo americano, mais de 200 pessoas morreram nessas operações.

A administração Trump informou ao Congresso que considera estar em um “conflito armado” contra os cartéis de drogas desde o primeiro ataque, realizado em 2 de setembro.

O governo também classificou os mortos como “combatentes ilegais” e afirmou ter respaldo jurídico para realizar ataques letais sem revisão judicial prévia.

A estratégia, porém, é alvo de questionamentos. Parlamentares americanos e organizações de direitos humanos contestam a interpretação do governo e defendem que suspeitos de tráfico sejam presos e processados judicialmente.

Outro ponto de controvérsia é que o governo Trump não apresentou publicamente provas sobre a presença de drogas nas embarcações atingidas nem sobre eventuais vínculos dos ocupantes com cartéis.

Até o momento, autoridades militares americanas afirmam que nenhum integrante das Forças Armadas dos EUA ficou ferido durante os ataques.

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