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Os Estados Unidos voltaram a discutir a possibilidade de impor novas sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo reportagem publicada neste domingo (16) pelo jornal britânico Financial Times. De acordo com a publicação, o debate ganhou força dentro do governo do presidente Donald Trump após Moraes autorizar medidas de busca e apreensão relacionadas a uma investigação sobre o vazamento de informações utilizadas em reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino.

A operação ocorreu na terça-feira (11) e teve entre os alvos Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão apontado pela Polícia Federal como uma das fontes do jornalista independente Luís Pablo. As reportagens investigadas tratavam do uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino.

O episódio provocou uma nova discussão dentro do STF por envolver o sigilo de fonte jornalística, direito assegurado pela Constituição. O presidente da Corte, Edson Fachin, defendeu publicamente a proteção dessa garantia e sinalizou que a controvérsia poderá ser levada ao plenário do tribunal.

Moraes, por sua vez, sustenta que as medidas foram autorizadas com base em indícios de possíveis práticas ilegais. Segundo o ministro, a proteção constitucional conferida à atividade jornalística não se estende a eventuais crimes cometidos durante a obtenção ou divulgação das informações.

Segundo o Financial Times, autoridades americanas consideram o episódio mais um capítulo de uma série de decisões de Moraes que vêm provocando críticas dentro do governo Trump. Uma fonte ouvida pelo jornal afirmou que os Estados Unidos buscam preservar uma relação positiva com o Brasil, mas que o ministro é visto por integrantes da administração americana como um adversário.

A assessoria de imprensa do STF foi procurada e informou que apresentaria um posicionamento sobre o caso. A assessoria de Flávio Dino, por outro lado, informou que o ministro não faria uma nova manifestação. Segundo a equipe, Dino já havia comentado o assunto durante a sessão do STF na quinta-feira (13) e voltou a abordar o tema neste domingo (16), por meio das redes sociais.

Moraes já foi alvo de sanções dos Estados Unidos. Em 30 de julho de 2025, o Departamento do Tesouro americano incluiu o ministro na lista de sancionados pela Lei Magnitsky. Na ocasião, Washington acusou Moraes de autorizar prisões consideradas arbitrárias, restringir a liberdade de expressão e conduzir processos de caráter político, citando entre os exemplos as medidas relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A inclusão na lista implicava o bloqueio de eventuais bens e interesses patrimoniais de Moraes sob jurisdição americana. A medida também restringia, salvo exceções autorizadas pelo governo dos Estados Unidos, transações realizadas por cidadãos e empresas americanas envolvendo os ativos atingidos pelas sanções.

Em setembro de 2025, as medidas foram ampliadas para incluir Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos. As punições foram posteriormente retiradas em 12 de dezembro de 2025, em um período de reaproximação entre os governos de Trump e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar da retirada formal das sanções, segundo o Financial Times, as restrições e críticas do governo americano em relação a Moraes continuaram sendo discutidas em Washington. A possibilidade de novas medidas ocorre agora em meio a uma nova deterioração da relação entre Brasil e Estados Unidos, marcada por divergências comerciais e políticas.

Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou duas novas sobretaxas sobre produtos brasileiros. Uma delas, de 25%, foi vinculada a uma investigação específica contra o Brasil aberta com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Posteriormente, Washington anunciou uma tarifa adicional de 12,5%, relacionada a uma investigação sobre medidas de combate ao trabalho forçado. A iniciativa também atingiu outros parceiros comerciais dos Estados Unidos.

O governo brasileiro reagiu às medidas e, na quinta-feira (13), abriu o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica. A legislação estabelece mecanismos para que o Brasil possa adotar contramedidas diante de medidas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros.

As divergências também avançaram para o campo diplomático. Washington revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. Segundo o governo americano, a decisão ocorreu após o Brasil não conceder o agrément a Daniel Perez, indicado para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

O nome de Perez havia sido aprovado pelo Senado americano antes da autorização formal do governo brasileiro, em um episódio que gerou novo desgaste entre os dois países.

Além disso, em julho, o governo brasileiro impediu a visita de dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A justificativa apresentada por Brasília foi o risco de interferência nas eleições brasileiras previstas para outubro.

A eventual aplicação de novas sanções contra Moraes, portanto, ocorre em um contexto de crescente tensão entre Brasília e Washington, que envolve decisões judiciais, liberdade de imprensa, questões eleitorais, relações diplomáticas e disputas comerciais entre os dois governos.

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