Painel em Berlim indica uma temperatura de 41 graus Celsius durante a onda de calor que atinge a Europa neste sábado (27) • Axel Schmidt / Reuters

Uma intensa onda de calor continua atingindo diversos países da Europa neste sábado (27), provocando temperaturas recordes, mortes e transtornos na infraestrutura. Em algumas regiões, os termômetros ultrapassaram os 40°C, enquanto autoridades emitiram alertas para riscos à saúde e pediram que a população economize água.

O calor extremo avançou da Escandinávia aos Alpes e agora se desloca em direção ao leste europeu, alcançando países como a Polônia.

Segundo cientistas, o episódio está diretamente relacionado às mudanças climáticas causadas pela ação humana, que tornaram as temperaturas extremas registradas durante a noite muito mais prováveis do que há duas décadas.

Recordes de temperatura

A Dinamarca registrou neste sábado a maior temperatura desde o início das medições meteorológicas, em 1874, com 37°C na região ao norte da cidade de Aarhus.

Na Alemanha, o Serviço Nacional de Meteorologia informou que uma estação próxima à cidade de Saarbrücken, na fronteira com a França, registrou 41,3°C na sexta-feira (26), estabelecendo um novo recorde nacional para o mês de junho.

O meteorologista Karsten Brandt, do portal Donnerwetter.de, afirmou que algumas regiões alemãs poderão atingir 42°C durante o fim de semana.

As altas temperaturas também ultrapassaram os 30°C em praticamente toda a Polônia, enquanto alertas de calor extremo permanecem ativos em grande parte da Alemanha.

Mortes e impactos

Na França, a onda de calor já provocou dezenas de mortes, entre jovens e idosos. As temperaturas acima de 40°C afetaram o funcionamento do transporte ferroviário, reduziram a geração de energia elétrica, levaram à suspensão de aulas, ao adiamento de eventos ao ar livre e até à adoção de restrições para o consumo de bebidas alcoólicas em algumas localidades.

Na Itália, o Ministério da Saúde emitiu alerta vermelho para 18 cidades, entre elas Roma, Milão, Turim, Veneza, Florença, Bolonha e Gênova, onde as temperaturas podem alcançar 39°C.

Na cidade de Bolzano, nos Alpes italianos, foi registrada a noite de junho mais quente da história, com temperatura mínima de 25,4°C, segundo o meteorologista Dieter Peterlin.

O governo francês informou que, apesar da previsão de enfraquecimento da onda de calor, a pressão sobre os hospitais deverá continuar elevada nos próximos dias.

As autoridades também registraram aumento significativo dos incêndios florestais em comparação com o mesmo período do ano passado.

Infraestrutura afetada

Os efeitos do calor extremo também atingiram os sistemas de transporte.

Na Alemanha, a operadora ferroviária Deutsche Bahn autorizou passageiros a remarcarem gratuitamente viagens de longa distância para reduzir o fluxo nas linhas.

Já a National Express suspendeu parte da circulação de trens na região da Renânia do Norte-Vestfália, como medida preventiva diante das altas temperaturas.

Perto de Hamburgo, uma das principais rodovias do país teve uma faixa parcialmente interditada após o asfalto apresentar rachaduras provocadas pelo calor intenso.

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