O ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov 1º de julho de 2026 • Alina Smutko / Reuters

O ex-ministro da Defesa da Ucrânia Mykhailo Fedorov, de 35 anos, pediu a realização de eleições no país mesmo durante a guerra contra a Rússia. A declaração foi feita nesta terça-feira (18), em um vídeo publicado no YouTube, e representa um desafio político ao presidente Volodymyr Zelensky.

Fedorov foi destituído do cargo de ministro da Defesa em julho, apenas seis meses após assumir a função. Antes da saída, ele era considerado um aliado de longa data de Zelensky e havia prometido promover reformas nos processos de compras do Ministério da Defesa.

A legislação ucraniana proíbe a realização de eleições durante a vigência da lei marcial, adotada após a invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.

“A democracia não pode ser mantida como refém pela Rússia”, afirmou Fedorov.

Segundo o ex-ministro, é necessário estabelecer uma alternativa jurídica que permita ao país retomar o processo democrático mesmo diante de uma guerra prolongada.

“Precisamos encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia retomar plenamente seu processo democrático, mesmo em condições de uma guerra prolongada”, declarou.

Críticas ao governo

Durante o discurso, Fedorov afirmou que a Ucrânia enfrenta uma “crise sistêmica de governança” e criticou estruturas que, segundo ele, resistem a mudanças.

“O antigo sistema vive, com muita frequência, segundo suas próprias regras. Ele se protege. Tem medo da mudança”, disse.

O ex-ministro também criticou a corrupção dentro do governo, alegando que o problema prejudicou os esforços de guerra do país.

Fedorov havia afirmado anteriormente que sua tentativa de reformar os processos de compras do Ministério da Defesa, responsável pela aquisição de bilhões de dólares em equipamentos, teria contribuído para sua saída do cargo.

Primeiro grande apelo desde o início da invasão

O pedido de Fedorov é apontado como a primeira exigência pública pela realização de eleições feita por uma figura política de destaque na Ucrânia desde o início da invasão russa em larga escala.

A declaração ocorre em meio a um período de tensão política interna no país, que continua sob lei marcial devido ao conflito.

Até a publicação da declaração, o gabinete de Zelensky não havia se manifestado oficialmente sobre as críticas feitas pelo ex-ministro.

Artigo anteriorImplurb celebra Dia do Estagiário com valorização e integração no órgão técnico
Próximo artigoPolícia fecha laboratório clandestino de remédios para emagrecimento em São Paulo