
A Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) decretou luto oficial de três dias pela morte do professor Guilherme Pereira Lima Filho Lattes, de 66 anos, uma das três vítimas da chacina registrada nesta segunda-feira (17), no bairro São Jorge, zona oeste de Manaus.
De acordo com a Portaria nº 131, de 17 de agosto de 2026, o luto será observado entre os dias 17 e 19 de agosto no âmbito da Faced/Ufam. A unidade acadêmica também anunciou a suspensão das atividades acadêmicas e administrativas nesta terça-feira (18), pelo período de um dia.
A medida não alcança serviços considerados essenciais ou indispensáveis ao interesse público, nem atividades que, por sua natureza, não possam ser adiadas. Nesses casos, a manutenção será definida pelas respectivas chefias, coordenações ou responsáveis.
Guilherme foi morto ao lado de Francisco das Chagas Moraes Santão, de 67 anos, e Isabella Coelho Moraes, de 29 anos. Dilma Cilene Lima Sampaio, de 53 anos, também estava no imóvel e sobreviveu ao ataque.
Segundo a Polícia Civil, todas as vítimas pertenciam à mesma família e foram atacadas com arma branca. O delegado Rodrigo Azevedo afirmou que o crime teria sido direcionado e cometido por mais de uma pessoa.
“Foi uma agressão direcionada. Dois corpos estavam em um quarto e um no corredor. Todos são aparentados, mas não podemos divulgar mais informações para não atrapalhar as investigações”, afirmou.
Professor dedicou quase quatro décadas à educação
A morte de Guilherme Pereira Lima Filho repercutiu especialmente na comunidade acadêmica da Universidade Federal do Amazonas.
Professor da Faculdade de Educação, Guilherme dedicou quase quatro décadas à formação de professores. Ele se formou em Pedagogia pela Ufam, em 1988, e posteriormente concluiu mestrado em Engenharia de Produção e doutorado em Ciências da Educação.

O decreto de luto e a suspensão das atividades da Faced nesta terça-feira refletem o impacto da morte do docente entre alunos, professores e servidores da instituição.
Três pessoas foram mortas dentro da residência
Além do professor, morreram Francisco das Chagas Moraes Santão e Isabella Coelho Moraes. Francisco era pai de Isabella e marido de Dilma Cilene, conforme informações de uma amiga da família.
Isabella era pessoa com deficiência e apresentava dificuldades de fala e locomoção. Segundo relatos de pessoas próximas, recebia cuidados do pai, que a acompanhava diariamente até a escola.
A Polícia Civil também apura a informação de que Isabella prestaria depoimento em um processo judicial nos próximos dias. Até o momento, porém, não há confirmação de qualquer relação entre esse fato e a chacina.
Sobrevivente foi encontrada ferida
Dilma Cilene foi encontrada com vida dentro do imóvel e socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ela foi encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Pereira.
Segundo as informações disponíveis, a mulher apresentava ferimentos nas regiões frontal e parietal da cabeça, provocados por coronhadas, e estava desorientada durante o primeiro atendimento.
Dilma passou por sutura e foi encaminhada para uma tomografia computadorizada de crânio. Até então, não havia sido divulgado novo boletim sobre seu estado de saúde.
Polícia aponta ataque direcionado
O delegado Rodrigo Azevedo informou que as vítimas fatais apresentavam lesões provocadas por instrumento perfurocortante. A perícia deverá esclarecer se os criminosos utilizaram faca, terçado ou outro tipo de objeto.
“Nós temos duas vítimas de sexo masculino, uma vítima fatal de sexo feminino e uma socorrida do sexo feminino. Então aqui nós temos todas elas vítimas de agressão por arma branca, perfurocortante. Não sabemos ainda se faca ou outra arma”, explicou.
O subtenente da Polícia Militar D. Nunes afirmou que uma pessoa acionou a corporação após encontrar as vítimas.
“Nos deparamos com uma situação de três pessoas já em óbito e uma pessoa ainda com vida. Acionamos o Samu, prestamos o socorro, a pessoa foi levada para ser atendida nesse momento, ainda está viva. E as primeiras informações que nós tivemos com ela no local é que invadiram e eles foram agredidos”, relatou.
Moradores disseram ter ouvido gritos de socorro vindos da residência.
DEHS tenta identificar envolvidos e motivação
Equipes da Polícia Militar, incluindo Rocam e Força Tática, atenderam à ocorrência. Os corpos das três vítimas foram removidos pelo Instituto Médico Legal (IML).
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que começou a ouvir testemunhas e levantar informações para identificar os envolvidos.
Segundo o delegado, há indícios da participação de várias pessoas, embora a quantidade exata de criminosos ainda esteja sendo apurada. A motivação também permanece desconhecida.
Entre as informações que deverão ser verificadas está o possível depoimento que Isabella prestaria em um processo judicial. A polícia ainda não estabeleceu relação entre esse fato e as mortes.







