
A pouco mais de um mês do 59º Festival Folclórico de Parintins, uma nova polêmica envolvendo a escolha dos jurados movimentou os bastidores da disputa entre os bois-bumbás Garantido e Caprichoso. Em Nota Oficial divulgada nesta quinta-feira (21), a Boi Garantido cobrou transparência no processo de seleção dos avaliadores e questionou a condução dos trabalhos pela Comissão de Jurados do festival.
A principal reclamação do boi vermelho e branco envolve a ausência de publicação do edital de inscrições para escolha dos jurados, procedimento previsto no regulamento do evento e tradicionalmente realizado com antecedência nas edições anteriores.
Segundo a diretoria do Garantido, a indefinição gera insegurança jurídica às vésperas do festival, marcado para os dias 26, 27 e 28 de junho. O bumbá também afirmou não ter recebido esclarecimentos formais sobre critérios, prazos e mecanismos adotados pela coordenação responsável pela formação do corpo julgador.
Na nota, a associação demonstrou preocupação com informações de que a comissão estaria mantendo contatos com instituições para indicação de jurados sem a publicação prévia de edital público, o que, segundo o Garantido, contrariaria princípios da administração pública e regras estabelecidas no regulamento do festival.
Outro ponto que elevou a tensão foi o questionamento envolvendo integrantes da coordenação de jurados. O Garantido citou nominalmente o presidente da comissão, Wanderley Ribeiro Pantoja, apontando ligação familiar dele com o artista alegorista Geremias Pantoja, conhecido como “Gereca”, integrante do Boi Caprichoso.
A associação também mencionou Karla Viana, descrita na nota como torcedora e integrante de família ligada ao boi azul e branco. Segundo o Garantido, os nomes já haviam sido questionados formalmente, mas sem resposta até o momento.
Em um dos trechos mais contundentes da manifestação, o Garantido afirmou que não aceitará que o processo de escolha dos jurados ocorra “de forma obscura e ao arrepio da lei”.
O boi informou ainda ter protocolado, no último dia 8 de maio, um documento rejeitando propostas de alteração no regulamento apresentadas pela coordenação de jurados, além de solicitar a publicação imediata do edital previsto nas normas do festival.
Como medida para ampliar a transparência do processo, o Garantido defendeu a participação de representantes dos dois bois-bumbás, do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) em todas as etapas da escolha dos jurados.
Após a repercussão da nota, a Comissão de Jurados do Festival de Parintins divulgou esclarecimento afirmando que todos os procedimentos seguem rigorosamente o regulamento vigente e são conduzidos com base nos princípios da legalidade, impessoalidade e transparência.
Na manifestação assinada por Wanderley Ribeiro Pantoja, a comissão afirmou que critérios técnicos, prazos e mecanismos de escolha vêm sendo debatidos há meses em reuniões institucionais com participação das agremiações, da Prefeitura de Parintins, da Comissão Organizadora e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC).
A coordenação também destacou que o regulamento já prevê mecanismos de impedimento, controle e impugnação para garantir neutralidade e segurança jurídica ao processo.
Por fim, a comissão ressaltou que possui apenas função administrativa e operacional, sem qualquer participação direta na avaliação das apresentações na arena, atribuição que cabe exclusivamente aos jurados oficialmente selecionados.
O episódio amplia o clima de tensão nos bastidores do Festival de Parintins 2026, considerado uma das maiores manifestações culturais do país e patrimônio cultural do Amazonas.
NOTA DE ESCLARECIMENTO







