
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu ao cancelamento do último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno e afirmou que o episódio representou um “desastre” para a emissora, e não para sua campanha. A declaração foi feita nesta sexta-feira (2), durante a reta final da campanha eleitoral, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Lula havia decidido não participar do confronto e, na noite de quinta-feira (1º), concedeu entrevista ao Flow Podcast.
“Desastre foi para a Globo. Ela ontem descobriu que não é dona de tudo”, afirmou Lula, segundo a publicação.
A fala ocorreu um dia depois de uma sequência de decisões judiciais, desistências e mudanças nas regras que terminou com o cancelamento do programa que seria exibido a três dias da votação de domingo (4).
Lula trocou debate pelo Flow
Lula havia comunicado que não compareceria ao debate e decidiu participar de uma entrevista ao Flow Podcast. Na manhã desta sexta, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o candidato nunca havia confirmado presença nos debates do primeiro turno e disse que Lula deverá participar desses encontros caso a eleição tenha segundo turno.
Ao comentar a decisão de conceder a entrevista, Lula também afirmou que sua participação no podcast teria alcançado audiência superior à novela da Globo. A declaração foi feita pelo próprio presidente; as métricas de audiência da televisão e de plataformas digitais, porém, são diferentes e não permitem uma comparação direta sem dados equivalentes.
Decisões judiciais antecederam cancelamento
O debate da Globo estava previsto para a noite de quinta-feira, mas duas decisões judiciais alteraram as condições estabelecidas para o programa poucas horas antes de sua realização.
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a emissora de manter no cenário o púlpito vazio identificado com o nome de Lula e de permitir perguntas destinadas ao candidato ausente. A medida atendeu a pedido da coligação do petista.
Outra decisão, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação de Renan Santos (Missão) no debate.
Flávio Bolsonaro (PL), que até então estava confirmado, também anunciou que não compareceria ao encontro. Com a sucessão de mudanças, a Globo decidiu cancelar o programa.
Em nota, a emissora afirmou que as decisões judiciais interferiram nas regras que haviam sido previamente acordadas com os partidos e provocaram insegurança jurídica para a realização do debate.
Lula concentra reta final no combate à abstenção
Após a repercussão sobre o debate, Lula concentrou parte de sua agenda desta sexta-feira no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Nos atos, pediu a mobilização de eleitores para a votação de domingo, com atenção especial às pessoas com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
Durante caminhada entre a Candelária e a Cinelândia, no Rio, o presidente também pediu calma aos apoiadores diante da aglomeração. Um vidro de um VLT foi quebrado durante o tumulto registrado no percurso.
Mais tarde, em Belo Horizonte, Lula voltou a defender a participação dos eleitores e citou temas como Sistema Único de Saúde (SUS), salário mínimo, bets e escala 6×1 ao apresentar as diferenças que vê entre os projetos políticos em disputa.
A agenda de rua de Lula prossegue neste sábado (3), véspera do primeiro turno, com uma caminhada prevista para a avenida Paulista, em São Paulo.







