O Governo do Amazonas informou que antecipou na quarta-feira (19) o repasse de R$ 3 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), referente à participação estadual no custeio do Passe Livre Estudantil. A informação é usada pelo Executivo para contestar declarações do presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, em meio à ameaça de paralisação de 70% da frota anunciada para esta quinta-feira (20).

Segundo o governo, o pagamento foi realizado por meio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) e corresponde à parcela de agosto. O release informa que a operação consta no Portal da Transparência por meio da ordem bancária nº 20260B0196482.

A controvérsia ganhou contornos políticos depois que Givancir afirmou nesta quinta-feira, em entrevista a uma emissora de rádio, que a ameaça de paralisação havia sido suspensa após o prefeito de Manaus, Renato Junior, assumir o pagamento de uma parcela que caberia ao Estado.

O Governo do Amazonas rebate essa versão e afirma que não existia dívida estadual a ser assumida pela Prefeitura, uma vez que os R$ 3 milhões referentes a agosto já haviam sido pagos no dia anterior.

Governo acusa Givancir de divulgar informação falsa

No release, o Executivo estadual endurece o discurso contra Givancir e classifica como “completamente improcedente” a declaração atribuída ao sindicalista.

A versão apresentada pelo governo é de que, quando Givancir anunciou a possibilidade de greve a partir das 11h desta quinta-feira, caso os salários dos rodoviários não fossem quitados, não havia qualquer pendência do Estado relacionada ao Passe Livre Estudantil.

Na quarta-feira, o sindicalista havia condicionado a paralisação ao pagamento dos salários pelas empresas de ônibus. Na ocasião, ele afirmou que a categoria poderia cruzar os braços caso os valores não fossem depositados.

Segundo o release estadual, a vinculação de uma suposta dívida do governo à suspensão do movimento só apareceu posteriormente, quando Givancir atribuiu à Prefeitura a responsabilidade pela solução do impasse.

O governo sustenta que essa narrativa não corresponde à situação dos repasses estaduais.

Estado lembra pagamento de R$ 18 milhões em julho

Para reforçar sua versão, o Governo do Amazonas também recuperou o episódio da paralisação dos rodoviários ocorrida em julho.

Naquele mês, o Estado afirma ter depositado R$ 18 milhões na conta do Sinetram, correspondentes a seis parcelas de R$ 3 milhões referentes ao Passe Livre Estudantil da rede estadual, abrangendo o período de fevereiro a julho.

O pagamento foi anunciado pelo vice-governador Serafim Corrêa e, segundo o governo, posteriormente confirmado com o depósito dos recursos.

O Executivo destaca ainda que, naquela ocasião, Givancir Oliveira confirmou o encerramento da paralisação depois da chegada dos recursos estaduais ao sistema de transporte.

Somando os R$ 18 milhões referentes aos seis meses anteriores aos R$ 3 milhões informados como pagos nesta quarta-feira, o governo afirma ter destinado R$ 21 milhões ao Sinetram nesse período para sua participação no Passe Livre Estudantil.

Transporte entra no centro da disputa política

A troca de acusações ocorre em pleno período eleitoral e transforma novamente a crise do transporte coletivo em tema da disputa política no Amazonas.

O release do governo acusa setores ligados à Prefeitura de Manaus de tentarem atribuir ao Estado uma dívida que, segundo o Executivo estadual, não existia.

Também direciona críticas políticas a Givancir Oliveira, que, além de presidir o Sindicato dos Rodoviários, disputa uma vaga de deputado estadual.

Por se tratar de uma manifestação oficial do Governo do Amazonas, as acusações de que Givancir teria mentido ou de que haveria tentativa de responsabilizar politicamente o Estado representam a versão apresentada pelo Executivo estadual sobre o episódio.

O ponto objetivo sustentado pelo governo é que a parcela estadual de agosto, no valor de R$ 3 milhões, já havia sido transferida ao Sinetram em 19 de agosto, antes das declarações feitas nesta quinta-feira.

População enfrentou dia de tensão no transporte

Embora a greve dos rodoviários do transporte coletivo não tenha sido iniciada, a possibilidade de paralisação aumentou a apreensão entre usuários que dependem diariamente dos ônibus em Manaus.

A situação ocorreu no mesmo dia em que outra categoria ligada ao transporte, a dos trabalhadores do fretamento, realizou uma greve que bloqueou importantes vias e afetou o acesso de funcionários ao Distrito Industrial.

A paralisação do transporte especial terminou após acordo entre trabalhadores e empresas.

No caso dos rodoviários do transporte coletivo, a ameaça de greve acabou suspensa, mas o episódio abriu uma nova frente de embate entre governo, Prefeitura e representantes sindicais sobre quem efetivamente cumpriu suas obrigações financeiras e qual foi o papel desses pagamentos na suspensão do movimento.

Confira

Loader Loading...
EAD Logo Taking too long?

Reload Reload document
| Open Open in new tab

Artigo anteriorAcordo encerra greve do transporte especial em Manaus; vale-alimentação salta de R$ 165 para R$ 500
Próximo artigo‘Manaus que a Gente Cuida’ intensifica serviços de infraestrutura e limpeza no Educandos e Colônia Oliveira Machado e leva ações às comunidades