A greve dos trabalhadores do transporte especial chegou ao fim nesta quinta-feira (20), em Manaus, após mais de duas horas de negociação entre representantes dos trabalhadores e das empresas do setor. O acordo prevê reajuste salarial de 5,5% e, segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, eleva para R$ 500 o vale-alimentação dos motoristas, benefício que estava no centro das reivindicações da categoria.

A negociação ocorreu no Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento (Sifetran) e encerrou uma mobilização que, desde as primeiras horas da manhã, provocou bloqueios em importantes vias da capital e afetou as rotas utilizadas por funcionários das fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Especiais de Manaus (Sindespecial) e dos Rodoviários participaram das negociações e assinaram o acordo com o setor patronal.

Ao anunciar o resultado, Givancir classificou o desfecho como uma conquista histórica para os trabalhadores do fretamento.

“Foi uma vitória extremamente expressiva para a categoria. As empresas acabaram de corrigir uma injustiça histórica há mais de 40 anos para esses trabalhadores”, afirmou.

Vale-alimentação foi ponto central do acordo

Segundo Givancir, um dos principais avanços foi a garantia de R$ 500 mensais para alimentação aos motoristas.

“As empresas negavam o direito sagrado do trabalhador se alimentar e, a partir desse acordo aqui assinado, todos os motoristas terão direito a se alimentar. Eles terão R$ 500 todo mês”, declarou.

Antes da negociação, conforme informações divulgadas pelos representantes dos trabalhadores, o benefício era de R$ 165.

Em outra divulgação sobre o resultado da negociação, foi informado ainda que a cesta básica passou para R$ 520. Dessa forma, segundo os representantes sindicais, o acordo contempla R$ 500 de vale-alimentação e cesta básica no valor de R$ 520.

Salários terão reajuste de 5,5%

O acordo também estabeleceu reajuste salarial de 5,5%. De acordo com Givancir, o percentual representa ganho de aproximadamente um ponto percentual acima da inflação considerada durante a negociação.

A categoria havia iniciado a mobilização reivindicando reajuste salarial de 12%, além de aumento dos benefícios, redução da jornada e melhores condições de trabalho.

Na véspera da paralisação, propostas apresentadas durante as negociações haviam sido rejeitadas, levando os trabalhadores a iniciarem o movimento nesta quinta-feira.

Givancir atribuiu o avanço nas negociações à pressão exercida pelos trabalhadores durante a mobilização.

“Eu só tenho a agradecer a Deus e a toda a categoria, esses guerreiros que estão virados desde madrugada aí na rua lutando, estão sem dormir, mas, se não fosse a garra e a determinação de cada trabalhador nesse momento, a gente não ia sair vitorioso”, disse.

Greve bloqueou vias e afetou Distrito Industrial

Antes do acordo, a paralisação causou fortes reflexos no trânsito de Manaus. Trabalhadores realizaram mobilizações e bloqueios em diferentes pontos da cidade, incluindo importantes acessos ao Distrito Industrial.

A situação levou a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) a alertar que, caso o movimento continuasse, empresas do PIM poderiam enfrentar redução ou até paralisação de linhas de produção, além de impactos nas cadeias de suprimento e no cumprimento de contratos.

A Suframa também acionou a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e a Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região (PRT-11/MPT), solicitando providências para garantir o acesso ao Distrito Industrial, sem prejuízo ao direito de manifestação dos trabalhadores.

Com a assinatura do acordo nesta quinta-feira, os representantes sindicais anunciaram o encerramento da greve e da mobilização da categoria.

“Estou cansado, mas não me arrependo de nada do que foi feito. E, se tiver que fazer tudo de novo, faremos. Mas esse momento agora é comemorar com a nossa categoria”, afirmou Givancir.

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