Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

O governo de São Paulo voltou a criticar a decisão dos ferroviários de manter a greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM nesta quarta-feira (5). Em nota oficial, a administração estadual classificou a paralisação como “injustificável”, afirmou que o movimento causa graves prejuízos à população e anunciou que adotará medidas administrativas e judiciais para garantir a retomada do serviço. A greve entra no segundo dia após afetar cerca de 1 milhão de passageiros e provocar reflexos no trânsito da capital paulista e da Região Metropolitana.

Segundo o governo, milhares de trabalhadores, estudantes e usuários que dependem do sistema ferroviário enfrentaram dificuldades para se deslocar durante a terça-feira (4). A gestão estadual destacou que a interrupção parcial da circulação dos trens contribuiu para o aumento dos congestionamentos em São Paulo, que chegaram a 720 quilômetros durante o período da manhã.

Diante dos impactos na mobilidade urbana, a Prefeitura de São Paulo decidiu manter suspenso o rodízio municipal de veículos também nesta quarta-feira, como forma de minimizar os transtornos enfrentados pelos motoristas e passageiros.

A paralisação ocorre em meio ao processo de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à iniciativa privada. O movimento foi aprovado em assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, que afirma não ter recebido garantias formais suficientes sobre a manutenção dos empregos dos funcionários da CPTM após a transferência da operação para empresas privadas.

Os representantes da categoria defendem que o governo estadual apresente compromissos oficiais para preservar os postos de trabalho e também reivindicam a retomada da operação das linhas pela própria CPTM, posicionando-se contra o modelo de concessão adotado pelo Estado.

O governo paulista, por sua vez, afirma que a concessão não resultará em demissões dos trabalhadores. De acordo com a administração estadual, dos 4.648 funcionários que integravam o quadro da CPTM em junho, 2.171 permanecem vinculados à operação da Linha 10-Turquesa. Os demais servidores estariam incluídos em um plano de realocação para outros órgãos estaduais, como o Metrô, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e outras repartições públicas.

Na nota divulgada pelo governo, a gestão também acusa o sindicato de dar um caráter político ao movimento ao defender a reestatização dos serviços já concedidos à iniciativa privada. Para o Executivo estadual, a paralisação ultrapassa as reivindicações trabalhistas e passa a contestar a política de concessões adotada pelo Estado.

Já o sindicato rebate a acusação e sustenta que a greve tem como principal objetivo proteger os empregos dos ferroviários e garantir segurança jurídica aos trabalhadores durante o processo de concessão. A entidade afirma que ainda aguarda uma proposta formal do governo que assegure a permanência dos funcionários no serviço público.

Outro ponto levantado pela administração estadual diz respeito ao cumprimento da decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou a manutenção de pelo menos 80% do efetivo durante os horários de maior movimento. Segundo o governo, a determinação não foi respeitada, já que a CPTM operou com apenas 53% dos funcionários no pico da noite de terça-feira.

Para reduzir os impactos aos passageiros no segundo dia da paralisação, a CPTM e o Metrô informaram que manterão o plano de contingência adotado desde o início da greve. A estratégia inclui reforço operacional em outras linhas do sistema, reorganização do atendimento e ações para minimizar os transtornos aos usuários enquanto o impasse entre governo e trabalhadores continua sem acordo.

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