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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve conhecer nos próximos dias a decisão dos Estados Unidos sobre a possível aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras, resultado da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre supostas práticas comerciais desleais.

Apesar da continuidade das negociações, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que as chances de reverter a medida são reduzidas.

Na última sexta-feira (10), Lula reuniu-se com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para discutir os possíveis desdobramentos da decisão, prevista para ser anunciada na quarta-feira (15).

O governo trabalha com dois cenários. O principal prevê a confirmação de novas tarifas, restando apenas definir o percentual e quais produtos brasileiros serão atingidos. Um segundo cenário, considerado menos provável, seria o adiamento da decisão por parte da administração de Donald Trump.

A investigação do USTR propõe a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Entre os temas analisados estão comércio digital, uso do Pix, desmatamento ilegal e regras de proteção à propriedade intelectual.

Segundo integrantes do governo brasileiro, os negociadores norte-americanos demonstram pouca disposição para considerar os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil durante as negociações.

Essa percepção foi reforçada pelo chefe do USTR, Jamieson Greer, que afirmou recentemente haver “muita distância” entre as posições dos dois países.

“Esta semana tivemos nossa última audiência, e eu estou em contato com os brasileiros. Estamos tentando negociar, mas acho que há muita distância entre nós. Vocês verão a decisão final sobre o Brasil muito em breve”, declarou Greer.

Na tentativa de evitar a aplicação das tarifas, o governo brasileiro apresentou aos Estados Unidos um documento com propostas de reforço em áreas questionadas pela investigação, como comércio digital, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

O documento também prevê medidas adicionais para demonstrar que essas práticas não causam prejuízos à economia norte-americana. O Pix, no entanto, foi considerado um tema inegociável e ficou fora das propostas apresentadas.

Outro cenário analisado pelo Palácio do Planalto é a possibilidade de os Estados Unidos adiarem a aplicação das tarifas. A hipótese é considerada remota, mas ganhou força após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participar, em Washington, de uma audiência sobre o tema.

Durante o encontro, o parlamentar argumentou que este seria o pior momento para a adoção das tarifas, afirmando que a medida poderia favorecer eleitoralmente o presidente Lula. Antes da audiência, Flávio havia defendido o adiamento da decisão pelo menos até as eleições brasileiras.

O governo federal criticou a iniciativa e divulgou nota afirmando que existe diferença entre fazer oposição ao governo e agir contra os interesses do país.

Independentemente do cenário, a orientação do presidente Lula é manter as negociações até a divulgação da decisão oficial. Somente após o anúncio do governo norte-americano o Palácio do Planalto deverá definir quais medidas serão adotadas em resposta.

Com informações de Metrópoles

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