Meirilany Silva da Silva se entregou à Polícia Civil na manhã desta terça-feira (28), no 19º DIP, após ter a prisão domiciliar revogada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas. Ela foi encaminhada para exame de corpo de delito e, em seguida, transferida para uma unidade prisional.

A jovem Meirilany Silva da Silva, de 21 anos, que havia sido considerada foragida após ter a prisão domiciliar revogada pela Justiça, se entregou na manhã desta terça-feira (28), no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus. Ela é investigada por envolvimento na operação contra o tráfico de drogas que terminou com a morte do investigador da Polícia Civil Luciano Carvalho de Sena, do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc).

Ao deixar a delegacia, ainda na manhã desta terça-feira (28), Meirilany Silva da Silva foi colocada no camburão de uma viatura da Polícia Civil para ser encaminhada ao exame de corpo de delito. Em seguida, será levada para a unidade prisional onde permanecerá à disposição da Justiça.

A apresentação ocorreu dois dias depois de o desembargador plantonista Flávio Humberto Pascarelli Lopes, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), suspender a decisão que havia autorizado a investigada a cumprir prisão domiciliar em razão da gravidez. Com a liminar, voltou a valer a prisão preventiva, fazendo com que Meirilany passasse à condição de procurada pela Polícia Civil até sua apresentação espontânea.

A decisão do magistrado acolheu pedido do Ministério Público do Amazonas (MPAM), que sustentou que a gravidade dos fatos, a grande quantidade de drogas apreendida e o contexto da operação impediam a concessão do benefício previsto para gestantes.

Gravidade da operação pesou na decisão

Na decisão obtida com exclusividade, o desembargador destacou que o caso vai muito além da condição de gestante da investigada.

Segundo Pascarelli, os fatos ocorreram durante uma operação policial de combate ao tráfico de drogas que terminou com a morte de um agente do Estado, circunstância considerada excepcional.

“O crime imputado à recorrida se insere no contexto da empreitada delituosa que resultou no confronto e no lamentável óbito de um dos agentes estatais destacados para o cumprimento de uma missão velada de investigação policial”, afirmou o magistrado.

Para o desembargador, embora a legislação permita, em determinadas situações, a substituição da prisão preventiva por domiciliar para mulheres grávidas, essa possibilidade não é automática quando existem elementos concretos que demonstrem elevada periculosidade e risco à ordem pública.

Gravidez, por si só, não garante prisão domiciliar

Outro ponto ressaltado na decisão foi a inexistência de provas médicas de que a gestação de Meirilany seja de risco ou de que a permanência no sistema prisional represente benefício concreto para a gravidez.

Segundo Pascarelli, os autos não apresentam laudos técnicos que justifiquem a substituição da prisão preventiva exclusivamente em razão da gestação.

O magistrado também afastou qualquer violação ao princípio da presunção de inocência, destacando que a prisão preventiva possui natureza cautelar e busca preservar a ordem pública diante da gravidade do caso.

MP apontou atuação em organização criminosa

No recurso, o Ministério Público argumentou que Meirilany não poderia ser tratada como uma traficante eventual, apontando indícios de participação em uma organização criminosa estruturada.

Durante a operação, foram apreendidos:

829 tabletes de maconha, totalizando 862,6 quilos;

10 tabletes de cocaína, com 11,2 quilos;

munições;

coletes balísticos;

máquina de contar dinheiro;

equipamentos utilizados na logística do tráfico.

Para o MP, o volume da droga apreendida e o confronto armado que culminou na morte do investigador Luciano Carvalho de Sena evidenciam a necessidade da manutenção da prisão preventiva.

Morte de investigador marcou operação

Luciano Carvalho de Sena morreu na última sexta-feira (24), durante uma operação da Polícia Civil no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus.

De acordo com as investigações, ele foi atingido por disparos no pescoço e no braço durante o confronto entre policiais civis e suspeitos ligados ao tráfico de drogas.

Meirilany foi presa em flagrante na ação. Na audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva, mas, posteriormente, substituída por prisão domiciliar devido à gravidez. A decisão, entretanto, foi reformada em caráter liminar pelo TJAM, que restabeleceu a prisão preventiva.

Com a apresentação espontânea nesta terça-feira, a investigada volta a ficar à disposição da Justiça enquanto o Tribunal de Justiça do Amazonas analisa o mérito definitivo do recurso interposto pelo Ministério Público.

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