
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (8), o avanço das obras da BR-319, principal ligação terrestre entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO), e afirmou que o governo federal encontrou uma forma de viabilizar a rodovia conciliando desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Ao discursar durante cerimônia de demarcação de Unidades de Conservação, no Palácio do Planalto, em alusão ao Dia da Amazônia, Lula reconheceu que a BR-319 é cercada por um longo e tenso debate ambiental e político.
Segundo o presidente, as discussões em torno da recuperação da estrada chegaram a momentos em que, nas palavras dele, “muitas vezes a paixão é colocada acima da razão”.
Lula, no entanto, sinalizou que o governo pretende avançar com a rodovia e afirmou que sua gestão “encontrou um jeito de fazer” a BR-319.
A declaração ganha peso especialmente para o Amazonas, onde a recuperação e pavimentação da rodovia são defendidas há anos por setores políticos, empresariais e da população como fundamentais para reduzir o isolamento terrestre do estado em relação ao restante do país.
Lula diz que BR-319 pode virar exemplo para o mundo
Ao defender a obra, Lula afirmou que a BR-319 poderá contribuir para otimizar o escoamento da produção nacional e sustentou que a execução do projeto poderá demonstrar que é possível combinar infraestrutura, crescimento econômico e proteção da floresta.
Na avaliação do presidente, a rodovia poderá servir de exemplo para outros países ao mostrar que obras de infraestrutura na Amazônia podem ser realizadas com responsabilidade ambiental.
A BR-319 liga Manaus a Porto Velho e é considerada uma via estratégica para a integração do Amazonas à malha rodoviária nacional. A situação da estrada, principalmente no trecho central, é alvo de décadas de discussões envolvendo licenciamento ambiental, conservação da floresta e desenvolvimento regional.
Preservação da Amazônia
Durante o discurso, Lula também destacou a biodiversidade brasileira, a necessidade de preservação da Amazônia e a possibilidade de geração de riqueza a partir dos recursos naturais da região sem destruir a floresta.
O presidente reiterou ainda a defesa da proteção e demarcação das Terras Indígenas.
O governo federal também atribui à política ambiental adotada desde 2023 a redução dos índices de desmatamento na Amazônia, apresentando a queda da devastação como parte da estratégia de conciliar desenvolvimento econômico, proteção ambiental e enfrentamento às mudanças climáticas.
Nesse cenário, a BR-319 permanece como um dos maiores testes dessa política: de um lado, a pressão pela recuperação definitiva da ligação terrestre do Amazonas com o restante do país; de outro, as exigências ambientais relacionadas aos impactos que a pavimentação e o aumento da circulação podem provocar sobre a floresta.
A declaração de Lula nesta terça-feira reforça, porém, a posição do presidente de que o governo pretende buscar uma solução para tirar a recuperação da rodovia do longo impasse.







