
A greve dos trabalhadores do transporte fretado do Polo Industrial de Manaus (PIM), prevista para esta sexta-feira (14), foi suspensa após uma articulação sindical abrir caminho para uma nova rodada de negociação com representantes da indústria. A assembleia da categoria, no entanto, está mantida e poderá deliberar por uma greve geral caso não haja acordo sobre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.
A decisão foi anunciada após reunião envolvendo Givancir Oliveira, presidente do Sindicato dos Rodoviários; Josildo Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Especial e Turismo de Manaus (Sindespecial); e Valdemir Santana, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Sindicato dos Metalúrgicos no Amazonas.
Segundo os sindicalistas, a intervenção de Santana possibilitou a abertura de diálogo com representantes ligados às indústrias do Polo Industrial. Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial de pelo menos 12% e garantia de alimentação aos trabalhadores do transporte fretado.
“A greve de amanhã (sexta-feira) está suspensa, não a assembleia! A assembleia continua amanhã para aprovar a greve geral caso as nossas exigências não sejam cumpridas”, afirmou Givancir.
Com a suspensão, o serviço de transporte dos trabalhadores do Distrito Industrial não deverá ser interrompido nesta sexta-feira em razão do movimento anunciado, enquanto as entidades sindicais tentam avançar nas negociações.
Categoria mantém pressão por acordo
Josildo Oliveira confirmou a suspensão da greve e ressaltou que a manutenção da assembleia preserva a mobilização dos trabalhadores enquanto as negociações continuam.
“A greve tá suspensa amanhã, mas a assembleia continua e pra gente buscar o nosso direito”, afirmou o presidente do Sindespecial.
Antes da reunião, a categoria havia elevado o tom diante do impasse com as empresas responsáveis pelo transporte fretado. Segundo o sindicato, uma proposta patronal de reajuste foi considerada insuficiente pelos trabalhadores.
Agora, a expectativa é que a nova interlocução permita discutir as reivindicações antes de uma eventual decisão pela paralisação.
Alimentação entra no centro das reivindicações
Além do percentual de reajuste, a alimentação dos motoristas tornou-se um dos principais pontos da mobilização.
Givancir afirmou durante a reunião que existem profissionais trabalhando em diferentes turnos sem receber alimentação das empresas e que alguns chegam a desembolsar cerca de R$ 500 por mês com refeições.
Ao ouvir o relato, Valdemir Santana classificou a situação como “um absurdo” e declarou apoio da CUT às reivindicações.
“É um absurdo um trabalhador não ter direito à refeição. É um absurdo a pessoa folgar só quatro horas para dormir, isso não existe”, declarou.
Santana afirmou que pretende conversar com empresários ligados ao Distrito Industrial para tentar construir uma saída negociada.
“A refeição é fundamental. Nós temos esse direito, o trabalhador tem esse direito. E nós da CUT vamos estar junto com vocês. Nós vamos conversar, somos da paz, a gente vai conversar com os empresários”, disse.
Reajuste de pelo menos 12%
Outro ponto de divergência é o reajuste salarial. Durante a conversa, os representantes sindicais defenderam um aumento de pelo menos 12% para a categoria.
Valdemir também criticou a possibilidade de um reajuste de 3% e afirmou que a CUT participará das tratativas para tentar aproximar trabalhadores e empresas.
O desfecho dessas negociações será levado em consideração pela categoria. Embora a paralisação inicialmente prevista para esta sexta-feira tenha sido suspensa, uma nova greve poderá ser aprovada caso os trabalhadores entendam que as propostas não atendem às reivindicações.
A mobilização envolve um serviço considerado estratégico para o funcionamento do Polo Industrial de Manaus. Diariamente, o transporte fretado é responsável pelo deslocamento de trabalhadores entre diferentes regiões da capital e as fábricas do Distrito Industrial, especialmente nas trocas de turno.







