
Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (10) que a guerra contra o Irã “terminará imediatamente” após as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms. O pleito está marcado para novembro e definirá a composição do Congresso norte-americano, atualmente controlado pelos republicanos.
Segundo Trump, uma negociação com o governo iraniano poderia ocorrer, mas não está entre as prioridades neste momento. O presidente também afirmou que o Irã teria perdido grande parte de seu território durante o conflito e que não conseguiria sustentar as hostilidades por muito tempo.
“Inicialmente, eu queria fazer um acordo. Estamos muito avançados. Eles têm muito pouco território restante no momento. Sim, uma negociação poderia acontecer, mas não é algo que estamos analisando. Essa guerra terminará imediatamente após nossa eleição, porque eles não aguentam mais”, declarou.
A declaração ocorre em um momento de pressão política sobre Trump dentro dos Estados Unidos, principalmente em razão do aumento do custo de vida associado aos impactos da guerra. O conflito alcançou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte internacional de petróleo, por onde passa cerca de 20% da produção mundial.
Trump afirmou que a situação deverá provocar uma forte queda nos preços do petróleo após as eleições. Segundo ele, os Estados Unidos mantêm controle sobre o Estreito de Ormuz e outras áreas estratégicas, o que permitiria reduzir a pressão sobre o mercado de energia.
“Logo após a eleição, os preços do petróleo vão despencar. Eles vão desmoronar, e nós vamos derrubá-los”, afirmou o presidente norte-americano.
O cenário econômico tem preocupado integrantes do Partido Republicano, que temem perder o controle de uma ou das duas Casas do Congresso durante as midterms. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em agosto mostrou que, pela primeira vez em aproximadamente uma década, os eleitores entrevistados apontaram os democratas como mais preparados para administrar a economia e o custo de vida.
No levantamento, 38% dos entrevistados disseram preferir os democratas na condução desses temas, enquanto 35% escolheram os republicanos.
Na tentativa de mobilizar a base e preservar a atual composição do Congresso, o Partido Republicano realizou uma convenção nacional antes das eleições de meio de mandato, uma iniciativa considerada incomum. Durante o evento, realizado em Dallas, no Texas, Trump também prometeu uma medida de forte apelo econômico caso os republicanos mantenham o controle da Câmara dos Representantes e do Senado.
O presidente afirmou que pretende conceder um dividendo de US$ 5 mil a cada adulto norte-americano caso o partido saia vitorioso nas eleições. A proposta, segundo Trump, teria como condição que o dinheiro fosse utilizado nos Estados Unidos.
A guerra com o Irã está diretamente relacionada a uma disputa de décadas envolvendo o programa nuclear iraniano. Em 2015, durante o governo de Barack Obama, Estados Unidos, Irã e outras potências firmaram um acordo que estabelecia limites para as atividades nucleares de Teerã e permitia inspeções internacionais nas instalações do país.
Em contrapartida, o Irã recebeu alívio de parte das sanções econômicas impostas internacionalmente. O acordo, porém, foi abandonado por Trump em 2018, durante seu primeiro mandato. O então presidente norte-americano considerava que o pacto oferecia vantagens excessivas ao governo iraniano.
Após a saída dos Estados Unidos do acordo, o Irã deixou de cumprir algumas das restrições estabelecidas e aumentou o nível de enriquecimento de urânio. O material pode ser utilizado em programas nucleares civis, mas também pode servir para a produção de armas nucleares quando enriquecido a níveis específicos.
Durante o governo de Joe Biden, houve tentativas de restabelecer o acordo e negociar novamente o alívio das sanções econômicas, mas as conversas não chegaram a um entendimento definitivo.
Já no segundo mandato, Trump voltou a pressionar o governo iraniano para limitar ou abandonar seu programa nuclear. Washington argumenta que Teerã estaria próximo de desenvolver uma arma nuclear. O governo iraniano nega a acusação e afirma que suas atividades nucleares possuem objetivos pacíficos, principalmente relacionados à produção de energia.
No início deste ano, representantes dos dois países participaram de negociações sobre um novo acordo nuclear. As primeiras conversas foram descritas como positivas pelas delegações, mas a tentativa de aproximação acabou sendo interrompida após novas acusações de Trump de que o Irã teria retomado suas ambições nucleares.
Na sequência, os Estados Unidos autorizaram novos ataques contra alvos iranianos em conjunto com Israel, ampliando o conflito.
As hostilidades também envolveram outros grupos e países da região. O Hezbollah, aliado do Irã, lançou mísseis contra Israel, que respondeu com ataques a posições do grupo em diferentes áreas do Líbano. Drones iranianos também atingiram bases militares europeias no Oriente Médio.
A escalada chegou ao Estreito de Ormuz, aumentando a preocupação nos mercados internacionais diante da importância da passagem para o comércio de petróleo.
Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã chegaram a um acordo de cessar-fogo. Em junho, um memorando de entendimento ampliou a trégua por 60 dias, com o objetivo de criar condições para uma negociação definitiva sobre o programa nuclear iraniano e encerrar as hostilidades.
O prazo estabelecido, entretanto, terminou no fim de agosto sem que os países chegassem a um novo acordo. A declaração de Trump sobre o fim da guerra após as eleições de novembro coloca o calendário eleitoral norte-americano no centro das expectativas sobre os próximos passos do conflito.







