
A guerra entre Estados Unidos e Irã já custou cerca de US$ 38 bilhões aos cofres norte-americanos, o equivalente a aproximadamente R$ 195,9 bilhões, segundo uma análise divulgada nesta terça-feira (15) pelo Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos (CBO). O órgão estima que o conflito, iniciado há seis meses, possa acrescentar entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões aos gastos a cada mês, dependendo da intensidade das operações.
O levantamento do CBO considera os custos contabilizados até 1º de agosto e também aponta possíveis impactos sobre a economia norte-americana. Entre as consequências previstas está uma pressão adicional sobre a inflação, que poderia aumentar em cerca de 0,5% nos primeiros três meses de 2027.
Grande parte das despesas está relacionada à reposição de munições utilizadas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, além de gastos com equipamentos, combustível e pagamentos adicionais a militares. O CBO estima que a recomposição de determinados estoques de armamentos poderá levar até cinco anos.
O relatório também aponta possíveis efeitos sobre a capacidade de resposta militar dos Estados Unidos em outros conflitos. Entre os itens que sofreram redução estão munições consideradas essenciais, incluindo interceptores de mísseis. A escassez pode afetar a preparação das Forças Armadas para eventuais confrontos futuros, inclusive em cenários envolvendo China e Taiwan.
O Departamento de Defesa não colaborou com os auditores do CBO durante a elaboração da análise. O Pentágono, porém, contestou as conclusões relacionadas à disponibilidade de armamentos e afirmou que possui recursos suficientes para cumprir os objetivos estabelecidos pelo governo.
A Casa Branca também defendeu as ações militares. A porta-voz Anna Kelly classificou os ataques ordenados pelo presidente Donald Trump como uma medida destinada a proteger interesses e cidadãos norte-americanos. Segundo ela, as Forças Armadas possuem munições e estoques suficientes para cumprir os objetivos estratégicos definidos pelo governo.
O porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, também rejeitou a avaliação de que os Estados Unidos enfrentem uma falta de munições capaz de comprometer as operações. Segundo ele, as Forças Armadas dispõem dos recursos necessários para realizar ataques conforme as decisões do presidente.
A análise do CBO foi solicitada pelo deputado Brendan Boyle, da Pensilvânia, principal democrata da Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes. O parlamentar criticou os custos humanos e financeiros do conflito.
Até o momento, 18 militares norte-americanos morreram durante a guerra, segundo as informações reunidas no relatório. O documento também destaca danos provocados em instalações militares e equipamentos dos Estados Unidos na região.
O levantamento, no entanto, não inclui os custos de ataques recentes contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz nem os danos provocados por ataques a instalações militares norte-americanas na região. Também ficaram de fora os custos relacionados ao financiamento da guerra por meio de empréstimos, que poderiam acrescentar dezenas de bilhões de dólares ao valor total.
Na avaliação do CBO, os efeitos do conflito não se limitam aos gastos militares. A interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz também tem provocado impactos sobre os preços de energia no mercado internacional. Antes da guerra, a passagem era utilizada para transportar cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente.
A elevação dos preços de energia aumenta os custos para consumidores e empresas e pode contribuir para novas pressões inflacionárias nos Estados Unidos e em outras economias.
Em julho, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, havia informado ao Senado que os gastos relacionados à guerra já chegavam a aproximadamente US$ 37,5 bilhões. Na mesma audiência, ele solicitou quase US$ 90 bilhões em recursos emergenciais para recompor os estoques de munições.
O inspetor-geral do Pentágono estimou que, até 19 de junho, os custos do conflito chegavam a US$ 33,4 bilhões. Desse total, cerca de US$ 184 milhões estavam relacionados a danos provocados em instalações diplomáticas norte-americanas por ataques iranianos.
O impacto financeiro ocorre em um momento de pressão sobre as contas públicas dos Estados Unidos. A dívida pública total do país ultrapassou US$ 40 trilhões em agosto, segundo dados citados no levantamento.
O CBO também compara o atual conflito com os custos das guerras travadas pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão após os ataques de 11 de setembro de 2001. Segundo estimativas citadas pela Reuters, a guerra do Iraque, que durou oito anos e chegou a mobilizar mais de 100 mil soldados terrestres em seu auge, custou cerca de US$ 2 trilhões. Já a guerra do Afeganistão, que se estendeu por duas décadas, teve custo estimado em US$ 2,3 trilhões.
O relatório do CBO ressalta que o valor gasto no atual conflito ainda pode crescer caso as operações militares continuem e a situação no Estreito de Ormuz permaneça comprometida.







