
O prolongamento do conflito no Oriente Médio levou bancos e analistas financeiros a revisarem as projeções para a economia brasileira em 2026, principalmente em relação à inflação e à taxa básica de juros.
Em relatório divulgado na sexta-feira, o Santander elevou sua projeção para o IPCA de 2026 de 4,5% para 5,1%. O banco também passou a prever que a taxa Selic encerrará o ciclo de cortes em 13,25% ao ano, acima da estimativa anterior de 12,5%.
Segundo a instituição, o principal motivo para a revisão foi a persistência do choque nos preços do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio.
Petróleo mais caro pressiona inflação
O Santander destacou que o aumento prolongado do preço do barril Brent pressiona custos internos, especialmente combustíveis, fretes e cadeias produtivas.
“O choque do petróleo mais persistente volta a redefinir o cenário”, afirmou o banco no relatório.
Além do impacto inflacionário, a instituição avalia que o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz continua afetando mercados globais de energia e aumentando os prêmios de risco internacionais.
Mercado revisa cenário econômico
O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, voltou a elevar a expectativa do mercado para a inflação de 2026 pela nona semana consecutiva. A mediana das projeções passou para 4,91%.
Já o Morgan Stanley afirmou que a duração do choque energético será decisiva para o comportamento da inflação global, apontando possibilidade de o petróleo permanecer próximo de US$ 90 em cenários mais extremos.
O Goldman Sachs também passou a enxergar risco de juros mais altos no Brasil após a última reunião do Copom.
Fertilizantes e alimentos preocupam economistas
Especialistas alertam que os efeitos da guerra podem continuar mesmo após o fim do conflito.
A economista Marcela Kawauti, da Lifetime Investimentos, destacou preocupação com a importação de fertilizantes mais caros no segundo semestre, o que pode pressionar ainda mais os preços dos alimentos.
“Mesmo que a guerra acabe hoje, há um tempo de ressaca até que o cenário volte ao normal”, afirmou.
O mercado acompanha agora os próximos movimentos do petróleo e possíveis reajustes da Petrobras nos combustíveis, fatores considerados decisivos para o comportamento da inflação brasileira nos próximos meses.







