Renan Calheiros e Dra. Eudócia protagonizaram um dos confrontos mais acalorados do Senado em 2026, expondo a disputa política que movimenta os bastidores de Alagoas e a corrida pelas vagas ao Senado.

O Senado Federal foi palco nesta terça-feira (9) de um dos confrontos políticos mais intensos do ano. A troca de acusações entre o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e a senadora Dra. Eudócia Caldas (PSDB-AL) expôs uma disputa que ultrapassa os limites da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e tem como pano de fundo a corrida eleitoral de 2026 em Alagoas.

O embate começou quando Eudócia saiu em defesa de seu filho, o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (JHC), após declarações de Renan relacionadas às aplicações de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (IPREV) em investimentos ligados ao Banco Master.

A discussão rapidamente escalou para o campo pessoal e político. Em uma das falas mais contundentes da sessão, a senadora afirmou não temer o colega de Parlamento e o classificou como “o mais corrupto do Brasil”, provocando forte repercussão dentro e fora do Congresso Nacional.

Apesar da tensão registrada durante a reunião da CAE, o episódio revela uma disputa muito mais ampla. De um lado está Renan Calheiros, figura histórica da política brasileira e candidato natural à reeleição para uma das duas vagas ao Senado que estarão em disputa em 2026. Do outro, a família Caldas, liderada por JHC e representada atualmente por Dra. Eudócia no Senado, que busca preservar capital político diante das investigações envolvendo investimentos do IPREV no Banco Master.

Nos bastidores, aliados de Renan afirmam que a cobrança por esclarecimentos sobre os R$ 117 milhões investidos pelo fundo previdenciário municipal atende ao interesse público e à defesa dos aposentados. Já o grupo ligado a JHC acusa o senador de utilizar a estrutura da comissão para promover desgaste político contra adversários.

A reação de Eudócia foi além dos discursos. A senadora apresentou notícias-crime a diferentes órgãos de controle e passou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para aprofundar as investigações sobre a atuação do Banco Master. Em pronunciamentos recentes, ela também tem cobrado explicações sobre a dimensão nacional do caso e os impactos para fundos de pensão e previdência.

O confronto evidencia que o caso Banco Master deixou de ser apenas uma questão financeira para se transformar em uma poderosa arma política. Com pelo menos sete nomes cogitados para a disputa das duas vagas ao Senado por Alagoas, cada movimento dos grupos rivais passou a ser calculado com foco nas eleições do próximo ano.

Enquanto a guerra de versões ganha força no Congresso e nas redes sociais, o principal ponto da crise permanece sem resposta definitiva: o destino dos recursos aplicados pelos fundos de previdência e os prejuízos acumulados por milhares de aposentados e pensionistas. Em meio ao embate eleitoral, a solução para essas perdas continua sendo a principal cobrança da sociedade.

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