
A ousadia dos chamados “piratas dos rios” voltou a assustar o Amazonas. Na noite desta terça-feira (9), criminosos roubaram uma embarcação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu Fluvial), utilizada no atendimento médico de populações ribeirinhas. O caso mobilizou equipes da Marinha do Brasil e do Policiamento Fluvial da Polícia Militar, que iniciaram buscas para tentar localizar a lancha e prender os responsáveis.
A embarcação furtada é a USAF 02, unidade de suporte avançado que integra a estrutura do Samu Fluvial e presta assistência médica a moradores de comunidades de difícil acesso. A base da embarcação funciona no Porto de São Raimundo, na Zona Oeste de Manaus.
O crime chama atenção não apenas pelo prejuízo material, mas principalmente pelo impacto direto na saúde pública. Sem a lancha, o atendimento de urgência e emergência destinado a comunidades ribeirinhas poderá ser comprometido, afetando justamente a população que mais depende do transporte fluvial para ter acesso a serviços médicos.
O episódio também evidencia a crescente audácia das quadrilhas especializadas em crimes nos rios amazônicos. Conhecidos popularmente como “piratas”, esses grupos costumam agir durante a noite, utilizando embarcações rápidas para abordar barcos, lanchas e balsas. Em muitos casos, os criminosos rendem tripulações, roubam cargas, motores, combustíveis e equipamentos de alto valor antes de fugir pelos inúmeros furos, igarapés e canais da região.
Dados levantados por entidades do setor de navegação apontam que a pirataria fluvial se tornou uma das principais ameaças à segurança na Amazônia. Os ataques têm como alvos embarcações de passageiros, transportadores de combustível e até serviços essenciais, causando prejuízos milionários e ampliando a sensação de insegurança nos rios da região.
Nos últimos anos, autoridades estaduais e federais intensificaram operações de patrulhamento e fiscalização em áreas consideradas críticas. Bases fluviais integradas da segurança pública passaram a atuar em rios estratégicos para combater tanto a pirataria quanto o narcotráfico, mas a vasta extensão da malha hidrográfica amazônica continua sendo um desafio para as forças de segurança.
Até o momento, não havia informações sobre a localização da USAF 02 nem sobre a identidade dos criminosos. As buscas seguem em andamento.
O roubo da lancha do Samu Fluvial reforça uma preocupação recorrente no Amazonas: quando os piratas atacam embarcações que prestam serviços essenciais, os prejuízos ultrapassam a esfera patrimonial e atingem diretamente milhares de famílias que dependem dos rios para viver, se locomover e receber atendimento médico.







