A prisão preventiva de Rodrigo Soares, conhecido nas rede sociais como “RC Soares” que se apresentava publicamente como coordenador da campanha de Maria do Carmo Seffair (PL) ao Governo do Amazonas, ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (4). Após a operação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que resultou na apreensão de aproximadamente 2,5 toneladas de drogas, a candidata reagiu, repudiou qualquer tentativa de associar seu nome aos investigados e anunciou que procurou o Ministério Público para pedir uma investigação “paralela e autônoma” sobre o episódio.

“Eu não vou permitir, não vou admitir ou tolerar que as pessoas, por conta de um processo político e por conta de questões eleitoreiras, venham querer supor ou me colocar no mesmo parâmetro aí de bandidos, criminosos”, declarou Maria do Carmo.

A candidata afirmou confiar nas instituições, incluindo Ministério Público, Poder Judiciário e Polícia Civil, mas ponderou que o episódio acontece em meio à disputa eleitoral pelo Governo do Amazonas.

“Confio também na Polícia Civil, que tem grandes valores lá, mas a gente sabe hoje quem é o chefe da Polícia Civil, é o governador que tá dentro de um processo político”, afirmou.

Maria do Carmo disse ainda que, como operadora do Direito, pretende buscar esclarecimentos sobre todos os fatos relacionados ao caso.

“Eu tô aqui pra exigir uma investigação paralela, autônoma, que possa realmente, como eu também farei, ver tudo o que aconteceu”, declarou.

Prisão e 2,5 toneladas de drogas

Rodrigo Soares foi preso preventivamente nesta sexta-feira em uma operação conduzida pelo Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc).

Segundo a Polícia Civil, a prisão é resultado de uma investigação iniciada há aproximadamente dois anos para apurar a atuação de suspeitos no tráfico de entorpecentes. As cerca de 2,5 toneladas de drogas foram encontradas em um caminhão localizado em um imóvel ligado ao investigado.

O diretor do Denarc, delegado Rodrigo Torres, informou que o trabalho também possui relação com uma investigação realizada em 2024. Na ocasião, Rodrigo, o irmão dele e outros integrantes do grupo passaram a ser investigados por suspeita de envolvimento com tráfico de maconha destinada a outros estados.

“Estamos tratando de enfrentamento de facções criminosas”, declarou Rodrigo Torres durante coletiva de imprensa.

Material da campanha encontrado durante operação

Durante as diligências, os investigadores chegaram a um imóvel relacionado ao Instituto União, entidade comandada por Rodrigo Soares no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.

No local, foram encontrados materiais eleitorais contendo a imagem, o nome e o número de urna de Maria do Carmo.

“Durante a operação, chegamos a este instituto, que é desse Rodrigo e dentro desse instituto foi encontrado material de campanha eleitoral”, afirmou o diretor do Denarc.

A ligação pública de Rodrigo com a campanha também aparece em registros divulgados nas redes sociais, incluindo fotografia na qual ele aparece ao lado de Maria do Carmo.

A Polícia Civil, entretanto, ressaltou que o material eleitoral encontrado não integra a investigação sobre tráfico de drogas conduzida pelo Denarc.

“O material foi encaminhado para a Polícia Federal, uma vez que ele não faz parte da nossa investigação”, explicou Torres.

Com isso, caberá à Polícia Federal analisar os materiais e verificar se existe alguma circunstância que demande apuração na esfera eleitoral.

PC-AM investiga possível utilização de ONGs

Outro desdobramento revelado pela Polícia Civil é a investigação sobre a eventual utilização de organizações não governamentais por integrantes de grupos criminosos para a prática de atividades ilícitas.

O Instituto União, comandado por Rodrigo Soares, teria sido criado há cerca de dois meses. Até o momento, porém, a corporação não informou ter identificado irregularidades específicas relacionadas às atividades da entidade.

As investigações deverão buscar esclarecer a participação atribuída a Rodrigo no esquema sob apuração, a origem e o destino das aproximadamente 2,5 toneladas de entorpecentes e o possível envolvimento de outras pessoas.

“Minha vida inteira foi uma vida limpa e honrada”, diz Maria do Carmo

Ao procurar o Ministério Público, Maria do Carmo enfatizou que não aceitará que seu nome seja vinculado aos crimes investigados e fez uma defesa de sua trajetória pessoal e profissional.

“Se tem algo que eu faço questão, tenho muito orgulho, é do meu nome, de não ter história, de não ter traços metidos com nada de errado, absolutamente nada. A minha vida inteira foi uma vida limpa, honrada”, afirmou.

A candidata também declarou confiar na atuação do Ministério Público e do Judiciário para esclarecer o episódio.

“Eu acho que as nossas instituições são sérias, devem ser preservadas, então confio na atuação do Ministério Público, é por isso que eu estou aqui. […] Confio no Poder Judiciário”, disse.

Até o momento, as informações divulgadas pela Polícia Civil não estabelecem participação de Maria do Carmo Seffair ou de sua campanha no esquema de tráfico de drogas investigado pelo Denarc.

A Polícia Federal deverá analisar separadamente o material eleitoral encontrado durante as buscas, enquanto o Denarc prossegue com a investigação relacionada ao tráfico de entorpecentes.

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