Foto: Reprodução/Facebook/Karovic Ljubisa - 23.02.2023

O passageiro que foi parcialmente sugado para fora de um avião após o rompimento de uma janela durante um voo da Ryanair afirmou que ainda revive o momento do acidente sempre que tenta dormir. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Ljubisa Karović, de 61 anos, contou que o som da explosão permanece em sua memória e descreveu o episódio como um dos momentos mais traumáticos de sua vida.

O incidente aconteceu na manhã de 10 de julho, durante um voo entre a Grécia e a Alemanha. Karović dormia no assento ao lado da janela quando foi despertado por um forte estrondo provocado pela despressurização da cabine. Segundo seu relato, a força do ar o lançou parcialmente para fora da aeronave, deixando seu corpo exposto da altura do peito para cima, antes que ele perdesse a consciência.

“O que nunca sai da minha cabeça é o barulho da explosão. Sempre que fecho os olhos para dormir, é esse som que volta”, relatou o passageiro.

De acordo com o advogado da vítima, Vasilis Tsiaras, Karović permaneceu nessa situação entre um minuto e meio e dois minutos, enquanto o avião voava a aproximadamente 4.500 metros de altitude e a mais de 600 quilômetros por hora.

Outros passageiros agiram rapidamente para impedir que ele fosse completamente lançado para fora da aeronave. Eles conseguiram segurá-lo e puxá-lo de volta para a cabine. Um dos ocupantes ainda tentou bloquear a abertura deixada pela janela utilizando uma bolsa, que acabou sendo sugada para o exterior, e depois uma mala.

A esposa de Karović, Svetlana, estava sentada algumas fileiras atrás e correu para ajudá-lo. Ela afirmou que, nos primeiros momentos da emergência, foram os próprios passageiros que prestaram socorro ao marido. Segundo ela, um homem que estava a bordo teve atuação decisiva para salvar sua vida.

Após o acidente, Karović foi informado de que perdeu a consciência duas vezes durante o voo. O impacto da despressurização fez com que seu rosto ficasse temporariamente inchado e deformado. Ele acredita que o cinto de segurança foi o principal responsável por impedir que fosse completamente arremessado para fora da aeronave.

Mesmo depois de receber alta hospitalar, o passageiro continuava apresentando queimaduras e hematomas no braço direito, que se estendem até a axila e o peito. Ele também utilizava um colar cervical para estabilizar o pescoço e relatava dores persistentes na região.

“Não me lembro de muita coisa, mas estou vivo. Talvez tenha sido o cinto de segurança que me salvou, talvez tenha sido o destino. Agradeço a Deus todos os dias”, afirmou.

Os médicos informaram que a recuperação deverá ser lenta. A recomendação é que o colar cervical seja utilizado por pelo menos seis semanas. Após esse período, os especialistas avaliarão a necessidade de uma intervenção cirúrgica.

A atuação da tripulação durante a emergência passou a ser questionada pela família da vítima e por seu advogado. Eles alegam que os comissários de bordo ficaram sem reação nos primeiros momentos e que o resgate inicial foi realizado exclusivamente pelos passageiros.

A Ryanair contestou essa versão e afirmou que sua equipe seguiu todos os protocolos de segurança. Segundo a companhia aérea, durante a despressurização e a descida de emergência, passageiros e tripulantes precisavam permanecer com os cintos afivelados e utilizando máscaras de oxigênio.

A empresa informou ainda que, após a aeronave atingir uma altitude segura, os comissários transferiram Karović para um assento ao lado da esposa e solicitaram que um médico permanecesse acompanhando o casal até o pouso. A companhia também afirmou que equipes médicas aguardavam a chegada do avião em Salônica.

O advogado da família, porém, sustenta que, após o incidente, a Ryanair não prestou assistência adequada ao casal. Segundo ele, apenas o filho de Karović, responsável pela compra das passagens, foi procurado pela companhia aérea.

As causas do rompimento da janela continuam sob investigação. Enquanto tenta se recuperar física e emocionalmente, Karović admite que sente receio de voltar a viajar de avião. Ao relembrar o episódio, ele deixou um conselho para outros passageiros: usar sempre o cinto de segurança durante todo o voo, medida que, segundo acredita, foi determinante para salvar sua vida.

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