
O Hospital Universitário Getúlio Vargas da Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil, realiza nesta quinta-feira (6), das 9h às 17h, uma ação educativa sobre hepatites virais voltada a pacientes, acompanhantes, colaboradores e usuários da unidade. Ainda em alusão ao Julho Amarelo, a programação contará com orientações sobre os diferentes tipos da doença, formas de transmissão, prevenção, vacinação, testagem e diagnóstico precoce, além da distribuição de materiais educativos produzidos com base nas orientações do Ministério da Saúde.
A iniciativa ocorre em um contexto de alerta para as hepatites virais, doenças que podem permanecer anos sem apresentar sintomas. Enquanto isso, o vírus pode comprometer o fígado de forma lenta e silenciosa, aumentando o risco de complicações como cirrose e câncer de fígado.
Segundo a enfermeira da Unidade de Vigilância em Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil, Elizabete Fragata, esse comportamento silencioso é uma das principais características das hepatites B e C. “A pessoa pode estar infectada durante anos, ou até décadas, sem sentir nada. Mas, mesmo sem sintomas, o vírus continua lesionando o fígado. Quando aparecem os primeiros sinais, muitas vezes a doença já está em fase avançada”, disse.
A especialista ressalta que conhecer as formas de transmissão e realizar a testagem quando indicada são medidas essenciais para identificar a doença precocemente e evitar complicações.
Nem todas as hepatites são iguais
Embora sejam conhecidas pelo mesmo nome, as hepatites virais não são uma única doença. Existem diferentes tipos de vírus que afetam o fígado, cada um com formas próprias de transmissão, prevenção e tratamento.
As hepatites A e E estão relacionadas principalmente ao consumo de água ou alimentos contaminados e às condições de higiene e saneamento básico. Já as hepatites B, C e D são transmitidas principalmente pelo contato com sangue contaminado e por relações sexuais desprotegidas. A hepatite B também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. As medidas de prevenção e os tratamentos variam conforme o tipo da doença.
“Para as hepatites A e E, a higiene das mãos, o consumo de água tratada, a higienização adequada dos alimentos, o saneamento básico e a vacinação contra hepatite A são fundamentais. Já para as hepatites B, C e D, é importante utilizar preservativo, não compartilhar objetos perfurocortantes, garantir materiais esterilizados em procedimentos como tatuagens e piercings, realizar a testagem quando indicada e manter a vacinação contra hepatite B em dia”, orienta Elizabete Fragata.
As possibilidades de tratamento também são diferentes. Enquanto as hepatites A e E costumam receber suporte clínico, a hepatite B pode necessitar de medicamentos antivirais em alguns casos. Já a hepatite C apresenta índices de cura superiores a 95% com os medicamentos disponíveis atualmente, segundo a especialista.
Quem deve fazer o teste?
Embora qualquer pessoa possa contrair hepatites virais, alguns grupos precisam ter atenção especial. Adultos sexualmente ativos, gestantes, profissionais de saúde, pacientes em hemodiálise, pessoas que já utilizaram drogas injetáveis, parceiros e familiares de pessoas com hepatite B ou C, além de quem realizou tatuagens ou piercings sem garantia de esterilização adequada e pessoas que receberam transfusão de sangue antes de 1993, período anterior à implementação de medidas mais amplas de controle para hepatite C no país, devem buscar orientação sobre a necessidade de testagem.
Além disso, hábitos aparentemente comuns também podem representar risco. Compartilhar lâminas de barbear, alicates de unha ou outros objetos perfurocortantes, bem como realizar procedimentos em locais sem licença sanitária, favorece a transmissão de algumas hepatites virais.
Mitos sobre hepatites
Segundo Elizabete, “é comum associar a doença apenas ao alcoolismo ou a ‘comportamentos errados’, o que não corresponde à realidade. Muitas pessoas acreditam que todas as hepatites são transmitidas pelo compartilhamento de copos, talheres, ou ainda pelo contato social, como abraço e beijo. Esses mitos geram medo exagerado de convivência com pessoas diagnosticadas e reforçam o julgamento moral, especialmente nos casos de hepatites B e C”.
Para a enfermeira, a desinformação favorece o preconceito e, por isso, precisa ser combatida. “Combater essas ideias equivocadas é fundamental para reduzir o estigma e promover o diagnóstico e o cuidado adequado”, disse
Quando procurar atendimento
Embora muitas hepatites permaneçam silenciosas durante anos, alguns sinais merecem atenção, como pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, cansaço excessivo, dor abdominal, perda de apetite, náuseas, barriga inchada e coceira na pele. A presença desses sintomas deve motivar a procura por atendimento de saúde para investigação adequada.
Para Elizabete Fragata, o maior obstáculo ainda é a falsa sensação de segurança. “O principal erro é acreditar que não está em risco ou pensar que a doença sempre apresenta sintomas. Muitas pessoas também desconhecem que existem formas eficazes de prevenção”, pontuou.
Sobre a HU Brasil
O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Serviço – Ação educativa sobre hepatites virais
Data: 6 de agosto (quinta-feira).
Horário: 9h às 17h
Local: Hall do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam)
Público: Pacientes, acompanhantes, colaboradores e usuários da unidade
Programação: Orientações sobre hepatites virais, formas de transmissão, prevenção, vacinação, testagem e diagnóstico precoce, além da distribuição de materiais educativos.







