Idosa de 93 anos é resgatada por equipes da rede de proteção após ser encontrada em grave estado de desnutrição e extrema vulnerabilidade, em Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus (Foto: Divulgação/MPAM)

Uma idosa de 93 anos, pesando aproximadamente 20 quilos e apresentando grave quadro de desnutrição, foi resgatada de uma situação de extrema vulnerabilidade em uma residência no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus. A ação ocorreu na quinta-feira (3) e mobilizou durante sete horas diferentes órgãos da rede de proteção.

Segundo o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), a mulher apresentava acentuada debilidade física, redução global da massa muscular e pele extremamente ressecada.

A situação encontrada dentro do imóvel chamou a atenção dos responsáveis pelo resgate. De acordo com o promotor de Justiça Mirtil Fernandes do Vale, titular da 56ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência (Prodhid), a idosa estava deitada, vestindo apenas uma fralda geriátrica e coberta por um lençol.

“Ela foi encontrada deitada, utilizando apenas uma fralda geriátrica e com um lençol cobrindo o corpo, em um ambiente extremamente insalubre e com alta temperatura. É inaceitável deparar-se com uma situação como essa e não tomar nenhuma providência”, declarou o promotor.

Apesar do grave estado físico e de possuir deficiência visual, a mulher estava consciente e conseguia falar e ouvir, conforme relatado pelo representante do Ministério Público.

Semsa encontrou situação e acionou rede de proteção

O caso chegou ao MPAM depois que a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) encaminhou um expediente relatando as condições encontradas durante atendimento domiciliar realizado por uma equipe da pasta.

O relatório enviado à Prodhid continha registros fotográficos que, segundo o Ministério Público, demonstravam a extrema fragilidade da mulher e a gravidade de seu estado de saúde.

Diante das informações, o MPAM articulou uma operação envolvendo diferentes órgãos para retirar a idosa do imóvel e garantir atendimento médico.

Resgate levou sete horas

A operação ocorreu entre 10h e 17h e reuniu o MPAM, a Delegacia Especializada em Crimes contra a Pessoa Idosa (Decci), o Centro Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (Cipdi), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).

Além da fragilidade física da idosa, as próprias características do imóvel tornaram o resgate mais complexo.

A residência fica no terceiro andar de um condomínio sem elevador, com acesso exclusivamente por escadas. Diante do quadro físico da mulher, foi necessária uma retirada técnica e especializada para evitar que ela sofresse ferimentos durante o deslocamento.

Após ser retirada do imóvel, a idosa foi encaminhada a uma unidade de saúde para avaliação médica e adoção das medidas assistenciais necessárias.

Prioridade é recuperação da idosa

A 56ª Prodhid entrou em contato com a direção da unidade de saúde para informar as particularidades e a gravidade do caso, sobretudo em razão do acentuado quadro de desnutrição.

Segundo o promotor Mirtil Fernandes, a prioridade neste momento é acompanhar a recuperação da mulher.

“Neste primeiro momento, nossa prioridade é garantir que essa pessoa consiga superar o grave estado em que se encontra. Posteriormente, em conjunto com os demais órgãos da rede de proteção, serão avaliadas e adotadas todas as medidas necessárias para assegurar-lhe a proteção e melhores condições de vida”, afirmou.

Circunstâncias serão investigadas

Além do acompanhamento médico e assistencial, o caso terá desdobramentos na esfera investigativa.

O Ministério Público, por meio da 56ª Prodhid, e a Delegacia Especializada em Crimes contra a Pessoa Idosa deverão apurar as circunstâncias que levaram a mulher de 93 anos a permanecer nas condições em que foi encontrada e avaliar as providências cabíveis.

Até o momento, as informações divulgadas não apontam quem era responsável pelos cuidados da idosa nem estabelecem eventual responsabilidade criminal pela situação encontrada.

O MPAM informou que continuará acompanhando o caso junto aos demais integrantes da rede de proteção para garantir atendimento e condições adequadas de vida à mulher após sua recuperação.

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