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A insônia segue entre os distúrbios do sono mais comuns da população e afeta milhões de brasileiros, impactando diretamente a saúde física, mental e a qualidade de vida. Dados apontam que entre 30% e 36% das pessoas apresentam sintomas noturnos de insônia, enquanto, no Brasil, cerca de 72% da população relata algum tipo de alteração do sono, como dificuldade para adormecer, despertares frequentes durante a noite ou sensação de sono não reparador.

O aumento dos casos ocorre em um contexto marcado pela hiperconectividade, pelo excesso de estímulos e pelo estresse da rotina diária. Especialistas destacam que dormir bem é um dos pilares fundamentais para o equilíbrio do organismo. A privação de sono pode comprometer o humor, a memória, a concentração e o desempenho cognitivo, além de elevar o risco para transtornos como ansiedade e depressão.

Diante desse cenário, a chamada higiene do sono tem ganhado cada vez mais espaço entre as recomendações médicas. O conjunto de hábitos busca favorecer um descanso de melhor qualidade por meio de mudanças simples na rotina, como estabelecer horários fixos para dormir e acordar, reduzir a exposição às telas durante a noite e criar um ambiente mais adequado para o repouso.

Em muitos casos, essas mudanças comportamentais são suficientes para aliviar os sintomas. No entanto, quando a insônia se torna frequente e persistente, especialistas alertam para a necessidade de avaliação médica, já que o tratamento deve ser individualizado conforme a causa do problema.

As diretrizes clínicas atuais indicam a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) como a principal estratégia de tratamento. A abordagem reúne técnicas que ajudam o paciente a modificar hábitos e comportamentos que favorecem a manutenção da dificuldade para dormir, sendo considerada a primeira opção antes da utilização de medicamentos.

Quando necessário, o tratamento pode incluir o uso de remédios específicos, sempre sob orientação médica. Um consenso recente da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), publicado na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria, reforça que o manejo da insônia deve priorizar o uso criterioso dos chamados hipnóticos conhecidos como “drogas Z”, além de estratégias de redução gradual da medicação em tratamentos prolongados.

O documento também apresenta outras alternativas farmacológicas que podem ser consideradas em casos específicos, como trazodona, ramelteona e pregabalina. A escolha do medicamento depende da avaliação clínica de cada paciente e deve ser feita exclusivamente por um profissional de saúde.

Além do tratamento especializado, médicos ressaltam que a adoção de hábitos saudáveis continua sendo a principal ferramenta para prevenir e combater a insônia. Entre as orientações mais importantes estão manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana, evitar o uso de celulares, computadores e televisores pelo menos uma hora antes de deitar, reduzir o consumo de cafeína, bebidas alcoólicas e refeições pesadas durante a noite e manter o quarto escuro, silencioso e confortável.

Outra recomendação é utilizar a cama apenas para dormir, evitando trabalhar ou permanecer por longos períodos no celular enquanto estiver deitado. Atividades relaxantes, como leitura leve ou banho morno antes de dormir, também ajudam a preparar o organismo para o descanso. A prática regular de exercícios físicos, preferencialmente durante o dia, completa o conjunto de medidas indicadas pelos especialistas.

Os profissionais alertam que a automedicação deve ser evitada. Quando a dificuldade para dormir persiste por semanas ou começa a interferir nas atividades diárias, o mais indicado é procurar atendimento médico para identificar a causa da insônia e definir o tratamento mais adequado para cada caso.

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