Agência Brasil

O Ministério das Relações Exteriores acompanha de perto a crise diplomática entre Brasil e Argentina após declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quarta-feira (29), o chanceler Mauro Vieira deve se reunir novamente com o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para avaliar o cenário e definir os próximos passos da política externa brasileira.

Bitelli foi convocado a Brasília depois da escalada da tensão provocada pelas falas de Milei durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25), em São Paulo. No evento, o presidente argentino participou da oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e fez ataques ao governo brasileiro.

Durante o discurso, Milei chamou Lula de “presidiário” e defendeu que o petista seja derrotado nas eleições presidenciais de outubro. O argentino também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, referindo-se ao magistrado, sem citar seu nome, como “lixo careca”. A declaração ocorreu após a decisão judicial que impediu o presidente argentino de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado.

Em resposta às declarações, o governo brasileiro convocou Julio Bitelli para consultas, procedimento diplomático utilizado para demonstrar insatisfação com a postura de outro país e reavaliar os rumos da relação bilateral.

Na segunda-feira (27), o embaixador esteve com o presidente Lula para apresentar um relato sobre a situação. A expectativa é que a reunião desta quarta com Mauro Vieira sirva para discutir os desdobramentos da crise e definir as medidas que poderão ser adotadas pelo Itamaraty.

Segundo informações apuradas pelo SBT News, o governo brasileiro não considera romper relações diplomáticas com a Argentina. A estratégia, neste momento, é manter o diálogo institucional enquanto acompanha a evolução do cenário político argentino, incluindo os índices de popularidade de Javier Milei.

Além de chamar o embaixador brasileiro para consultas, o Itamaraty também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar oficialmente a insatisfação do governo brasileiro com as declarações feitas pelo presidente argentino.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores classificou as falas de Milei como ofensivas às autoridades brasileiras, às instituições democráticas e ao povo brasileiro.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, afirmou o Itamaraty.

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