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A decisão de ter filhos envolve planejamento, e o intervalo entre gestações é um dos pontos mais importantes para a saúde da mãe e do bebê. Engravidar novamente logo após um parto pode parecer prático para algumas famílias, mas a ciência aponta que essa escolha exige cautela.

Segundo o ginecologista e obstetra Diney Soares Albuquerque, que atende no Hospital Mantevida, em Brasília, o tempo entre uma gestação e outra impacta diretamente nos desfechos maternos e neonatais.

O que é considerado um intervalo curto?

De acordo com os especialistas, um intervalo entre gestações é considerado curto quando a mulher engravida antes de 18 meses após o parto anterior. A recomendação de entidades como a OMS e o Ministério da Saúde é aguardar entre 18 e 24 meses. Intervalos menores que 12 meses, e especialmente abaixo de 6 meses, são vistos como mais arriscados, já que o organismo ainda está em recuperação.

Riscos para a saúde da mãe

Emendar gestações pode sobrecarregar o corpo feminino. Entre os principais riscos estão:

  • Anemia por deficiência de ferro e ácido fólico
  • Hemorragias
  • Infecções
  • Maior incidência de pré-eclâmpsia

De acordo com Albuquerque, há também preocupação em casos de cesariana recente, já que o útero pode não estar completamente cicatrizado, aumentando o risco de complicações como ruptura uterina.

A ginecologista e obstetra Karoline Prado, de Joinville, acrescenta que o desgaste físico e emocional também deve ser considerado, com impacto inclusive na saúde mental, como maior risco de depressão pós-parto.

O intervalo entre gestações também influencia diretamente a saúde do recém-nascido. Estudos mostram maior risco de:

  • Prematuridade
  • Baixo peso ao nascer
  • Restrição de crescimento intrauterino

Além disso, há maior probabilidade de desfechos neonatais adversos, o que pode comprometer o desenvolvimento da criança a curto e longo prazo.

Como se planejar para a próxima gravidez

Embora o corpo tenha uma recuperação inicial nas primeiras semanas após o parto, a restauração completa, incluindo equilíbrio hormonal e reposição nutricional, pode levar até dois anos. Por isso, o ideal é planejar a próxima gravidez com acompanhamento médico.

Entre as recomendações estão:

  • Consulta pré-concepcional
  • Uso de métodos contraceptivos no pós-parto
  • Suplementação de ácido fólico
  • Controle de doenças crônicas

Os especialistas reforçam que o intervalo entre gestações deve ser individualizado, considerando idade, histórico de saúde e tipo de parto anterior.

Emendar gravidez não é, em regra, a melhor escolha do ponto de vista médico. Embora cada caso precise ser avaliado individualmente, respeitar o tempo de recuperação do corpo reduz riscos importantes e contribui para uma gestação mais segura.[

Com informações de Metrópoles

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