Foto: Reuters/Stringer

As Forças Armadas do Irã ampliaram a ofensiva contra interesses militares dos Estados Unidos no Oriente Médio nesta sexta-feira (24) e lançaram ataques contra bases norte-americanas localizadas no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia. A escalada acontece em meio às negociações para um possível cessar-fogo entre Teerã e Washington, enquanto os confrontos continuam em diferentes frentes da região.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades iranianas, os ataques tiveram como alvo depósitos de combustível, armazéns de equipamentos militares e instalações utilizadas por tropas dos Estados Unidos na Base Aérea de Shaikh Isa, no Bahrein. Na Jordânia, os mísseis atingiram hangares de aeronaves e áreas de alojamento de militares na Base Aérea de Al-Azraq.

A nova ofensiva ocorre um dia após uma disputa de versões sobre uma suposta proposta de cessar-fogo. O jornal The New York Times informou que o Irã teria rejeitado uma oferta apresentada pelos Estados Unidos. A informação foi negada pela agência estatal iraniana IRNA, que classificou a reportagem como incorreta. Apesar da negativa, o governo iraniano não esclareceu se aceitou ou recusou oficialmente qualquer proposta de trégua.

Na quinta-feira (23), Teerã também elevou o tom contra o Reino Unido ao afirmar que Londres assumiu responsabilidade pelas operações militares americanas ao permitir o uso de instalações britânicas pelas forças dos Estados Unidos. O governo iraniano declarou que qualquer base utilizada para ataques contra seu território passa a ser considerada um alvo militar legítimo.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, também criticou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de utilizar ativos iranianos sob controle americano para custear prejuízos provocados por ataques no transporte marítimo. Segundo Araghchi, a medida criaria um precedente perigoso e aumentaria ainda mais as tensões internacionais.

As declarações respondem à fala de Trump de que qualquer dano causado a navios, cargas ou embarcações seria compensado com recursos iranianos que estariam sob controle dos Estados Unidos.

Enquanto isso, o governo americano mantém a campanha militar contra o Irã. Na manhã desta sexta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou, por meio de publicação na rede social X, que concluiu a 13ª noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos.

Segundo o comando militar, as operações atingiram centros de comando, depósitos de drones, redes de comunicação, sistemas de vigilância costeira e estruturas ligadas às capacidades marítimas iranianas. O objetivo, de acordo com Washington, é reduzir a capacidade de Teerã de ameaçar embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz.

Os bombardeios americanos também alcançaram diferentes regiões do território iraniano, incluindo áreas próximas ao Mar Cáspio. A ofensiva foi intensificada depois que Donald Trump prometeu uma “punição militar severa” ao Irã e aos rebeldes houthis, do Iêmen, acusando ambos de ampliar o conflito no Oriente Médio e colocar em risco importantes rotas marítimas internacionais, como o Estreito de Ormuz e a entrada do Mar Vermelho.

Com a troca de ataques entre as duas potências, aumentam os temores de uma escalada ainda maior do conflito, enquanto os esforços diplomáticos para alcançar um cessar-fogo permanecem sem avanços concretos.

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